Euforia entre empresários dá lugar à cautela
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quinta-feira, 09 de junho de 2011
Victor Lopes<BR>Reportagem Local 
No início de 2011, o empresariado brasileiro não podia estar mais empolgado sobre o crescimento dos seus negócios. Dados da International Business Report apontavam que 80% dos empresários entrevistados acreditavam no aumento da receita e 65% no crescimento da produtividade em 12 meses. No Estado, a expectativa não era diferente. De acordo com a Sondagem Industrial da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) - apresentada no início deste ano e que contou com a participação de 492 empresas - 86,42% dos empreendedores paranaenses estavam otimistas em relação ao seu setor, com previsão de novos investimentos, aumento nas vendas e dos empregos. Seis meses se passaram e o novo panorama sobre a economia do País é de cautela.
A FOLHA consultou especialistas no assunto e empresários de diferentes setores para avaliarem o atual momento e as perspectivas para o segundo semestre. O que se observa é que o otimismo perdeu um pouco do fôlego.
De acordo com Alivínio Almeida, professor de macroeconomia convidado da Faculdade Getúlio Vargas (FGV), com a mudança governamental, houve uma alteração na dinâmica econômica do País. Hoje, estamos com vários gargalos: a questão da inflação, do câmbio e até da Copa do Mundo. Não podemos considerar que é um cenário pessimista, mas também não tão otimista quanto no início do ano. Entre os problemas citados, Almeida dá destaque para a inflação. Segundo o economista, ela pressiona o governo, que acaba reagindo e esfriando a economia. Isso recalibrou a expectativa do empresariado brasileiro nos últimos meses. Todos estão refazendo as contas para 2011, avalia o economista.
A grande chave para o professor é a taxa de investimentos públicos. No ano passado, o País investiu apenas 18% do seu Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 3,6 trilhões em infraestrutura. Só como base de comparação, a China aplicou 47% do seu PIB em 2010 e a Coreia do Sul, 30%. Este limite de investimento acaba criando uma pressão inflacionária, cambial e taxa de juros elevada. O ideal seria aumentar tal investimento em 7%. Mas para quem tem o oitavo PIB do mundo é um dinheiro sem tamanho. Seria necessário uma reorganização dos gastos em todas as esferas de governo.
Sob o âmbito privado, é recomendado que o empresariado seja ponderado neste segundo semestre. Almeida ressalta que é preciso avaliar os novos investimentos considerando as oscilações econômicas e percebendo como o governo vai lidar com isso. O governo tem muita dificuldade instrumental para lidar com esta situação. Com a restrição orçamentária, a presidente só tem a política monetária em mãos, com a taxa de juros. O resto é fazer investimentos. A solução é óbvia, mas não significa que seja fácil.
Já Maurílio Schimitt, chefe do departamento de economia da Fiep, explica que sondagens são indicadores de sensibilidade, suscetíveis a alterações durante o ano, e que muita coisa mudou desde que a pesquisa da entidade foi realizada. A notícia de que a economia dos Estados Unidos não está apresentando sinais de recuperação aguardado é um deles. Temos também a China e a Índia com problemas no controle da inflação, o que pode acarretar em mudanças que afetam a velocidade de crescimento de suas economias. São fatores que certamente não estavam previstos no horizonte dos empresários daqui quando a sondagem foi realizada, conclui.


