Euforia com a Copa anima os comerciantes
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segunda-feira, 06 de julho de 1998
Cláudia Lopes 
Torcedores fanáticos como Sandra Marçal, que hoje à tarde se vestirá à caráter para ver o jogo da Seleção Brasileira, fazem a festa dos vendedores de artigos verde-amarelo. No começo da noite de ontem, ela procurava esmaltes das duas cores no Camelódromo de Londrina. Debaixo do braço, carregava uma sacola com perucas verde-amarelo. Além de pintar as unhas com as cores da seleção, mandei fazer um vestido e forrar um par de tamancos com o motivo da bandeira brasileira, conta.
O microempresário Luiz Mendes, que há um mês vende bandeiras do Brasil nas ruas da cidade, está satisfeito com o otimismo dos torcedores londrinenses. Desde o início da Copa do Mundo, ele vendeu 800 bandeiras, que custam cinco reais cada. Tinha dívidas que somavam R$ 1,2 mil e consegui pagar tudo com o dinheiro ganho com o negócio, diz. Ele e a mulher deixaram de fabricar batatinhas chips para trabalhar com a venda de bandeiras. Queria que tivesse mais uma Copa do Mundo pela frente. Até o próximo final de semana, diz que pretende vender pelo menos outras 300 unidades.
O camelô Aprígio da Silva não sabe quantificar o volume vendido desde o início do Mundial mas está satisfeito com o movimento. Sem a Copa, as vendas estariam paradas, diz. Em sua banca no Camelódromo, ele comercializa bandeiras (R$ 3), cornetas (R$ 3), bonés (R$ 8), cintos (R$ 2), ioiô (R$ 1) e apitos (R$ 1). Tudo verde-amarelo. Silva acredita que, se o Brasil ganhar hoje, o movimento em seu comércio será uma loucura. Todo mundo quer torcer com alguma coisa verde-amarela.
A Bolivar Esportes já vendeu 1,5 mil réplicas da camisa da seleção brasileira e outras 400 oficiais. O gerente Roberto Avelar Ribeiro diz que o modelo oficial, que custa R$ 70, acabou e que só vai conseguir repor o estoque amanhã. Vou receber mais 150 unidades, afirma. Com 20 unidades da réplica em seu estoque, ele também negocia a reposição do modelo com os fornecedores. Mas tem confecção que já não tem o produto para pronta entrega, conta. A réplica custa R$ 11,90.
Ribeiro calcula ter vestido cerca de 500 baixinhos nesta Copa com kits compostos por camiseta, calção e meia. Cada kit custa R$ 14,50 e tem numerações que variam de 2 a 10 anos. Gerente da Bolivar há 18 anos, ele acredita que esta seja a melhor Copa desde que entrou na loja. Em relação a de 94, as vendas dobraram, calcula. A Bolivar Esportes também vende bandeiras oficiais (R$ 20), calção (R$ 52) e meias (R$ 7,50).
O vendedor da Esporte Wilson, José Vinhoto, também acredita que esta seja a melhor Copa dos últimos 20 anos, desde que começou a trabalhar na loja. Em comparação com a passada, ele calcula um acréscimo de 30%. Estão sendo vendidas entre 12 e 15 camisas por dia na loja, segundo Vinhoto. Mas na véspera dos jogos do Brasil, a média é de 30 camisas. Isso sem contar os lotes fechados comprados por torcedores que estão embarcando para o exterior. Ontem, vendi um lote de 10 camisas para uma pessoa que vai para o Japão. O modelo infantil custa R$ 10. As camisas para adultos variam entre R$ 17 e R$ 60 (original). A maioria prefere levar a número 9, que é a do Ronaldinho.


