EUA vivem recessão desde março
O Serviço Nacional de Pesquisa Econômica (NBER, na sigla em inglês), entidade considerada referência máxima para determinar o início e o fim de contrações e expansões da economia norte-americana, anunciou ontem que os Estados Unidos estão em recessão desde março. Anúncio representa a confirmação de uma crise sincronizada nas três maiores economias do planeta, EUA, Japão e Alemanha (esta última estagnada, mas ainda não em recessão).
Segundo a entidade, os Estados Unidos entraram em recessão em março passado, exatamente dez anos depois do início do que foi considerado seu mais longo período de expansão da história (março de 1991 a março de 2001). ''O comitê está seguro de que a contração total na economia é suficiente para definir que uma recessão está em curso'', anunciou o comitê num comunicado.
Com a confirmação da recessão dos EUA, fica claro que EUA, Japão e Europa, consideradas os três maiores motores da economia mundial, estão à beira de um período de contração sincronizada. Nos anos 70, a alta da inflação e a crise do petróleo levaram a tríade dos países ricos a uma desaceleração conjunta, mas de menor impacto o PIB japonês chegou a encolher, mas economia do país não vivia a estagnação crônica de agora.
''O fato de o mundo inteiro estar virtualmente em recessão ao mesmo tempo irá contribuir para a duração e a severidade da crise'', afirmou Jeffrey A. Frankel.
Professor de economia de Harvard, Frankel foi um dos seis integrantes do painel do NBER que colocou os EUA oficialmente em recessão.
Para Stephen Roach, economista-chefe do banco de investimentos Morgan Stanley, ''o que ocorre hoje é diferente e pior do que outras recessões mundiais que conhecemos''. Segundo ele, ''o mundo tornou-se interconectado e isso é uma novidade.'' Com o mapa da nova recessão global em mãos, os críticos das reformas de mercado e do processo de integração comercial e de capitais ganharam um argumento num debate que já dura uma década.
Pelos últimos dados sobre crescimento divulgados pelo FMI, alguns dos países em desenvolvimento que mais abriram suas fronteiras a capitais e produtos externos sofrem contrações. Já países como China, Rússia e Índia, que resistiram ao processo de globalização, conseguiram proteger-se mais adequadamente do que parece ser a primeira crise mundial do mundo globalizado.
Para o NBER, os EUA poderiam ter escapado de uma recessão não fossem os ataques de 11 de setembro. ''Os ataques aprofundaram a contração e podem ter sido um importante fator que transformou um episódio que poderia ser uma crise leve numa recessão.''
Faz 80 anos que os estudos e conclusões da NBER são aceitos como verdadeiros e oficiais pelos setores público, privado e acadêmico. ''Percebi que a economia não estava em forma logo depois de assumir o cargo'', disse ontem o presidente George W. Bush, ao comentar e aceitar implicitamente a conclusão do NBER.





