NOVA YORK - O governo norte-americano vetou ontem a reeleição do secretário-geral da ONU Butros Butros Ghali enquanto que os demais 14 membros do Conselho de Segurança votaram em favor de um segundo mandato para ele. Butros Ghali anunciou a manutenção de sua candidatura, segundo a porta-voz das Nações Unidas, Sylvana Foa. ‘‘Ele está disposto a trabalhar pela instituição e não vai retirar sua candidatura até que o Conselho de Segurança tome uma decisão final’’, disse à AFP a porta-voz.
A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Madeleine Albright, afirmou à imprensa que é preciso dar prosseguimento ao processo de nomeação e que seu país espera que as nações africanas apresentem uma lista de outros possíveis candidatos. Segundo Madeleine, o governo norte-americano não tem candidato, e o veto de ontem é consequência de uma determinação por escrito do secretário de Estado, Warren Christopher.
Butros Ghali é o primeiro secretário-geral que sofre um veto norte-americano desde a criação da ONU, há 51 anos, e seu mandato termina oficialmente em 31 de dezembro. Ele desempenha o cargo desde primeiro de janeiro de 1992.
A França e o Egito, que estavam à frente das negociações a favor de Butros Ghali, não concordam que o processo de nomeação do secretário-geral esteja encerrado no Conselho de Segurança e sugerem que os 185 Estados membros da organização discutam a questão.
‘‘Na ausência de um consenso do Conselho de Segurança, a Assembléia geral da ONU pode decidir por si mesma e nomear o próximo secretário-geral’’, afirmou ontem em Paris o ministro das Relações exteriores da França, Hervé de Charette. Em 25 de outubro, o presidente Jacques Chirac estimou que um veto dos Estados Unidos a Butros Ghali se tornaria ‘‘um novo elemento de crise’’ na ONU.

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