Do Financial Times
Os fabricantes de cigarros norte-americanos estão sendo acusados de atuarem em cartel, monitorando os preços dos cigarros. A ação está sendo movida pelos distribuidores e revendedores dos Estados Unidos. Segundo a acusação, desde 1980 as cinco maiores empresas dos Estados Unidos – membros de um grupo denominado Comitê do Conselho – vêm monitorando os preços dos produtos em todo o território norte-americano.
Com a ação coletiva, que deu entrada nesta semana na Corte Federal de Washington, as ações das empresas de tabaco despencaram. O engraçado dessa história é que o mais recente processo contra a indústria do tabaco acusa os fabricantes de manipular os preços, mas nada diz sobre matar gente. Parece, além disso, ser um caso bastante débil, estimulado mais pelos advogados sequiosos de honorários do que por qualquer senso de perda por parte dos atacadistas de tabaco, em benefício de quem ele foi ostensivamente aberto.
O processo provavelmente não irá a julgamento por anos e talvez nem seja aceito pelo tribunal federal ao qual foi apresentado. Os investidores, porém, podem ser perdoados por não ligarem mais. A cada vez que um processo é decidido via acordo extrajudicial, surge mais um caso do nada. Atualmente, o setor de tabaco está lutando contra o governo federal, diversas empresas de seguro-saúde e fumantes individuais, tanto em processos individuais como também em processos coletivos.
Acrescentemos ainda a esse risco judicial o namoro dos mercados com as ações de crescimento mais rápido, adicionando o peso decrescente do setor nos índices de Wall Street – a Philip Morris representava 1,3% do valor do índice de ações Standard & Poor 500 no ano passado e caiu a 0,4% este ano. A conclusão a que se chega é que as ações do setor de tabaco parecem não valer mais o sacrifício.
Esse raciocínio conduziu os preços das ações das companhias do setor a uma queda que chega a sugerir falência iminente. A Philip Morris, cotada em seu ponto mais baixo de todos os tempos, vem sendo negociada por valores apenas três vezes superiores aos seus lucros em 2000 antes dos impostos, depreciação e amortização.
A RJ Reynolds vem sendo negociada por 150% do valor de seus lucros anteriores aos impostos, amortização e depreciação em 2000. No entanto, ambas as empresas vêm gerando dinheiro real e provavelmente as duas manterão seus dividendos e recomprarão ações no mercado. Mesmo com os riscos atuais, esses preços parecem bons demais para resistir.

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