EUA terão que ganhar produtividade na soja
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quinta-feira, 10 de maio de 2007
Ana Conceição<br> Agência Estado 
São Paulo - Os produtores americanos de soja terão que alcançar maiores níveis de produtividade para competir com Brasil e Argentina no mercado internacional. A área destinada ao grão nos Estados Unidos deve cair em favor do milho neste ano, uma tendência que pode continuar nas próximas safras, segundo analistas do setor. ''Nosso desafio hoje é aumentar a produção em uma área cada vez menor'', disse Craig Ratajczyk, diretor de Assuntos Globais e Alianças do Conselho dos Exportadores de Soja dos Estados Unidos.
De acordo com estimativa do Departamento de Agricultura americano (USDA), a área cultivada com soja deve cair 5,4% (para 27,17 milhões de hectares) e, a de milho, deve crescer 5,18% (para 36,6 milhões de ha) na safra 2007/08.
Em visita a São Paulo ontem, onde apresentou ao setor de soja brasileiro as estratégias de longo prazo dos produtores americanos, Ratajczyk disse que a demanda mundial pelo grão deve continuar forte e, os preços, sustentados. Mas nos Estados Unidos não há muito espaço para expansão de lavouras, afirma, e a soja terá que competir por área com o milho, principal matéria-prima para fabricação do etanol no país.
''Os Estados Unidos ainda têm espaço para crescer no mercado de soja, mas vamos precisar de mais investimentos em tecnologia'', diz. Ratajczyk avalia que, neste novo cenário, os produtores americanos de soja terão que optar pela diversificação para manter a rentabilidade das fazendas. Os biocombustíveis podem ser uma opção, mas ele adota uma posição cautelosa neste ponto.
''Não sei se os Estados Unidos podem ser competitivos. Os produtores de grãos querem produzir biocombustíveis, mas talvez tenhamos que importar esse tipo de produto'', afirma. ''Mas é positivo que tenhamos uma nova demanda para o óleo de soja, no caso do biodiesel''.
Na palestra a representantes da indústria e de produtores brasileiros, Ratajczyk mostrou que o setor americano de soja trabalha com quatro cenários possíveis nos próximos 15 anos. Entre eles, o que o executivo considera mais provável é o que ele chama de ''sucesso compartilhado'', em que o aumento dos preços das commodities promoveria lucros para todos os elos da cadeia.


