Agência Estado
De São Paulo
As bolsas brasileiras adotaram uma postura cautelosa até as 17h15, à espera da decisão do Fed sobre os juros norte-americanos. Como esperado pela metade dos operadores, as taxas de redesconto e dos Fed funds foram elevadas em 0,25 ponto percentual, para 5,0% e 5,5% respectivamente. Para compensar, o viés passou de alta para neutro. Até este momento, o índice da carteira teórica paulista subia 0,51% e o volume na Bovespa somava R$ 375 milhões, giro sinalizador de que grande parte dos investidores esperou pela decisão nos EUA.
Decisão conhecida, o índice Dow Jones oscilou muito. Chegou a registrar valorização em torno de 110 pontos, mas rapidamente cortou quase todos os seus ganhos. O mercado aqui acompanhou o vaivém norte-americano e às 17h27 o Ibovespa já operava também no terreno negativo. A oscilação persistiu até o final do pregão, às 18 horas.
A Bolsa paulista fechou em pequena alta de 0,10%, com volume financeiro de R$ 475 milhões, enquanto o Dow Jones subia cerca de 80 pontos no mesmo horário. A decisão do Fed não foi exatamente uma novidade. A oscilação que se observou após o seu anúncio ocorreu porque o mercado estava realmente dividido. O viés neutro foi uma espécie de tranquilizante para os que temiam novas altas ainda em 1999.
Maior reação poderá acontecer se o mercado alimentar boatos em relação à inflação, como ocorreu ontem. Os juros futuros estavam até bem comportados no período da manh㠖 o que influenciou num resultado razoável do leilão de títulos prefixados do Tesouro – mas subiram após o almoço, em função de rumores sobre o que poderia ser a segunda prévia do IGP-M, a ser divulgada amanhã. A inflação é o centro das atenções do mercado.
O mercado de câmbio teve um dia com poucos negócios e registrou pequena volatilidade nos preços. A cotação máxima do dólar atingiu R$ 1,9350 e a mínima chegou a R$ 1,9300. A a moeda norte-americana fechava em baixa de 0,10%, a R$ 1,9330. Por ter sido divulgado depois das 17 horas, o aumento dos juros nos EUA pegou o mercado com liquidez menor ainda e não chegou a influenciar os negócios.
De acordo com operadores, a reação no mercado de câmbio à elevação dos juros norte-americanos deverá acontecer nesta quarta-feira. ‘‘Mas tudo vai depender do cenário externo’’, disse um operador. Para eles, o dólar oscilou ontem ao sabor do fluxo cambial e daquilo que foi considerado como uma ‘‘banda pequena’’. Ou seja, quando as cotações chegam a cair abaixo de R$ 1,9300, aparecem compradores. E, quando o dólar ameça ultrapassar a casa de R$ 1,9350, surgem os vendedores na expectativa de que o Banco Central poderá atuar na venda.

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