EUA responderão a retaliações
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quinta-feira, 06 de outubro de 2005
Agência Estado 
Brasília Os Estados Unidos fizeram ontem uma ameaça ao Brasil, caso o governo brasileiro venha a aplicar retaliações comerciais contra produtos, serviços e patentes americanos. Em visita oficial a Brasília, o secretário-adjunto de Estado, Robert Zoellick, insistiu que a adoção de retaliações é ''contraproducente, somente pioraria o problema, e deveria ser decidida só em último caso''. Ele assinalou ainda que Washington poderá rever o acesso preferencial de produtos brasileiros ao mercado americano, com tarifas de importação reduzidas, e também a cooperação na área de propriedade intelectual.
Zoellick demonstrou que já não interessa mais aos Estados Unidos as negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e tampouco um acordo direto com o Mercosul proposta que o Itamaraty insiste em apresentar ao governo americano. O foco de Washington, afirmou Zoellick, está na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC).
''O Brasil vende US$ 2,5 bilhões aos Estados Unidos por meio do Sistema Geral de Preferências (SGP) e trabalhamos em cooperação no combate à pirataria. É perigoso entrar nesse caminho'', afirmou Zoellick, ao lado do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, com quem havia se reunido por cerca de uma hora. ''No caso de propriedade intelectual, demos mais tempo para o Brasil se adequar (na fiscalização e punição da prática de pirataria). Mas, se o Brasil quiser retaliar, nós podemos rever essas iniciativas.''
O pedido de autorização à OMC para impor sanções comerciais contra os Estados Unidos foi apresentado formalmente ontem pelo governo brasileiro, em Genebra. A decisão responde ao fato de Washington ter descumprido a ordem da organização de acabar com os subsídios condenados a seus produtores e exportadores de algodão e de outros produtos agrícolas. Zoellick argumentou que as retaliações devem ser aplicadas apenas quando não há nenhuma indicação de que o país condenado vai alterar suas políticas e insistiu que esse não seria o caso dos Estados Unidos, que encaminharam projeto que altera a legislação sobre o apoio ao setor algodoeiro ao Congresso.
Pouco antes, em entrevista para um grupo de jornalistas na embaixada dos Estados Unidos em Brasília, Zoellick havia ressaltado que a economia brasileira precisa crescer e se abrir, como meio de garantir o aumento de competitividade de seus setores produtivos. Ao lado de Palocci, reconheceu que havia conversado com o ministro e com empresários paulistas sobre a proposta do Ministério da Fazenda para a redução de tarifas de bens industriais. Polêmica, essa idéia está ainda em discussão dentro do governo e longe de tornar-se a oferta oficial do Brasil na Rodada Doha da OMC.


