EUA reduzem juro; mercado queria mais
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 29 de setembro de 1998
Agência Estado 
O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu ontem diminuir as taxas de juros de curto prazo no país em 0,25 ponto percentual. A taxa dos Fed funds, que serve de parâmetro para os empréstimos entre os próprios bancos no overnight, caiu de 5,50% para 5,25% ao ano. A reação geral do mercado foi mais negativa do que positiva. Esperava-se queda de até 0,50 ponto.
A Bolsa de Valores de Nova York fechou em baixa de 0,35%, mas chegou a cair até 1% logo após o anúncio da decisão do Fed, às 14h15 locais (15h15 em Brasília). O corte do Fed foi insignificante e pode não ser o suficiente para conter o problema dos Brasis ao redor do mundo, disse Susan Stearns, diretora de câmbio do Banco de Montreal em Nova York. O mercado reagiu com decepção. Havia esperança de um corte maior, acrescentou.
Para Charles Pradilla, estrategista-chefe da SG Cowen, Alan Greenspan (presidente do Fed) deixou claro que não haverá novos recuos nos juros nos próximos meses, deixando os investidores um pouco relutantes. De qualquer forma, foi uma medida acertada e completamente consistente. Mas conhecedores do estilo gradualista de Greenspan acham que a decisão de ontem foi o primeiro passo de uma série de reduções para diminuir em um ponto a taxa básica até meados de 1999.
A próxima reunião em que o Fed poderá fazer nova redução da taxa básica de juros será em novembro. Byron Wien, estrategista para os Estados Unidos do Morgan Stanley, em entrevista para a rede de TV CNB, previu que a tendência da Bolsa é continuar caindo nos próximos dias.
Outro fator que contribuiu para o recuo em Wall Street ontem foi a fala de Arthur Levitt, presidente da Comissão de Seguros e Câmbio. Ele declarou que alguns fundos de investimento estariam em risco, mas afastou a possibilidade de criação de um comitê de controle dos hedge funds.
Na semana passada, o meio financeiro foi tomado de surpresa com o colapso do Long-Term Capital Management (LTCM), um dos fundos de risco mais conhecidos e procurados por investidores. Não há base sólida, mas o mercado espera a aparição de um novo fundo com problemas, declarou o investidor-sênior da Brean, Murray & Co., Peter Coolidge.
Esta é a primeira vez que o Fed baixa as taxas de juros desde janeiro de 1996, quando caiu de 5,50% para 5,25%. Em março de 97 subiu novamente para 5,50% e agora recuou para 5,25% ao ano. A prime rate, taxa de juros dos bancos para clientes preferenciais, pode recuar 0,25 ponto dos 8,5% ao ano atuais. O objetivo do Fed com a medida é manter a economia norte-americana nos níveis de atividade atuais sem trazer de volta a inflação (que, alguns receavam, seria o efeito de uma redução de 0,50 ponto percentual ou mais nos juros).
Há quem ache que até a redução de 0,25 ponto possa causar novos problemas nos EUA. Por exemplo, ao estimular o consumo (as despesas pessoais em agosto de 98 foram 0,6% superiores às de 1997, embora a renda pessoal tenha crescido só 0,5%), ela poderá dificultar ainda mais o aumento do já muito baixo nível de poupança. A queda dos juros também tem efeitos no câmbio, com a desvalorização do dólar.


