EUA querem voltar a conversar com o Brasil
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quarta-feira, 30 de julho de 2008
Jamil Chade, correspondente 
Genebra- O governo americano admite que está disposto a voltar a conversar com o Brasil sobre a possibilidade de retomar as negociações comerciais entre o Mercosul e os Estados Unidos. Mas alerta que ''não haverá um presente'' por parte de Washington, enquanto negociadores alertam que a possibilidade de uma retomada ainda seria fortemente dificultada diante de o governo americano estar em seus últimos meses.
Na terça-feira, ao ver a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) desabar, o chanceler Celso Amorim admitiu que poderia voltar a conversar com a Casa Branca para uma aproximação em termos de uma negociação. Mas alertou que o processo não poderia repetir os mesmos erros da Alca, quando os americanos insistiam em regras de propriedade intelectual e investimentos. ''Estou sempre disponível para falar com o Brasil sobre liberalização comercial. Amorim exibiu liderança e foi um dos países que, junto com os Estados Unidos, endossou o pacote, mesmo que isso tenha causado alguma dor e desconforto. Estou sempre interessada em ter essa conversa'', afirmou Susan Schwab, representante de Comércio da Casa Branca.
Mas a enviada do governo Bush deixou claro que acordos de comércio ''não será um presente'' que Washington fará, insinuando que também cobrará um preço por fazer qualquer concessão em termos bilaterais ou regionais. ''Ninguém vai assinar um acordo se não achar que é de interesse nacional'', afirmou Schwab. William Contreras, ministro da Venezuela para o Comércio, deixou claro que, assim que seu país aderir ao Mercosul, Caracas tentará impedir um acordo com os Estados Unidos. ''Todos conhecem a posição da Venezuela. Além disso, o governo americano está debilitado'', disse.
Amorim ontem voltou a destacar que acordos bilaterais seriam um dos caminhos que o País adotará nos próximos meses, com a volta de um diálogo com a Europa e outros governos. Mas os próprios europeus já indicaram que isso não será fácil. O Mercosul quer um corte de tarifas para bens agrícolas, o que estaria criando problemas para França, Hungria e outros governos. Já a UE quer amplo acesso ao mercado do Mercosul para bens industriais. Mas com a Argentina adotando uma posição de intransigência nesse ponto, Bruxelas já prevê um processo difícil.
Segundo o chanceler, outro acordo poderia ser com a América Central e mesmo uma ampliação dos entendimentos com México, Índia e África do Sul. O chanceler, porém, evita a falar em ''nova política comercial''. ''Não há uma redefinição das prioridades. O que existe é a concentração de energias que estavam na OMC para outros temas e entendimentos bilaterais'', afirmou o chanceler. No dia em que a Rodada fracassou, Amorim admitiu que procuraria acordos que ''tivessem impactos concretos''.


