A criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e o consequente aumento do comércio com a América do Sul e a Central devem elevar em apenas 1% as exportações agrícolas dos EUA, para US$ 580 milhões. O incremento das importações também é considerado pequeno, em 3%. Mesmo assim, as negociações para a Alca na área agrícola serão regidas por contenciosos.
A previsão é do recém-divulgado relatório ‘‘Comércio Agrícola na Alca’’, elaborado para o Congresso dos EUA. ‘‘Muitos países da América Latina têm colocado ênfase em aumentar as oportunidades de acesso aos mercados da América do Norte, mas os produtores de algumas commodities nos EUA estão muito preocupados com o aumento da competição’’, afirma o estudo, que destaca os produtores de açúcar, suco de laranja e amendoim como os mais preocupados com a concorrência. ‘‘Os agricultores provavelmente buscarão formatar os acordos da Alca nas áreas que afetam seus interesses’’, assinala o estudo.
O relatório destaca, por exemplo, que o açúcar de Brasil e Guatemala, de baixo custo, vai reduzir os preços, a produção e as exportações do produto nos EUA, ao mesmo tempo em que elevará as importações. O trabalho assinala, também, que a remoção dos tarifas ‘‘pode criar incentivos para a importação do suco de laranja do Brasil , mais barato, podendo tirar a posição do suco da Flórida.’’
O Brasil tem exigido um maior acesso desses produtos aos EUA como condição para apoiar a criação da Alca. O suco brasileiro é taxado em 40% para entrar nos EUA, enquanto o açúcar é comercializado com cota tarifária de 88,5%.
Com base em análise elaborada pelo Departamento de Agricultura americano, o trabalho informa que as vendas de trigo dos EUA devem aumentar sobretudo para o Brasil, que hoje importa da Argentina boa parte da commodity consumida no País. Os EUA também devem, com a Alca, vender mais soja e algodão para toda a região, incluindo o Brasil, maior mercado do hemisfério depois dos EUA. Nada além disso. Mesmo assim, os poucos setores afetados pela competição pressionam o governo na defesa de seus interesses.
O relatório admite que, com base nos problemas similares surgidos com o México durante as negociações do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte - entre EUA, Canadá e México), é possível afirmar que ‘‘as negociações de liberalização comercial estarão entre as mais litigiosas da Alca.’’ O estudo lembra que a maioria do comércio agrícola entre o Canadá e o México já é ou será livre em breve, conforme os acordos do Nafta.
A proposta dos EUA para a agricultura na Alca defende que o setor seja tratado da mesma forma que o comércio de manufaturados. O país quer a redução rápida das tarifas, mas a representação comercial destaca que a posição norte-americana considera a ‘‘sensibilidade de alguns produtos dentro de uma estrutura consistente com a OMC.’’
Essa posição, segundo a análise, terá implicações sobre o comércio agrícola, pois alguns países da América do Sul, sobretudo o Brasil, querem colocar na agenda da Alca questões como subsídios a exportações e suporte doméstico à produção rural e preços, temas que os EUA admitem ver discutidos apenas na Organização Mundial do Comércio.

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