Genebra - Os Estados Unidos querem que o Brasil seja considerado como um país desenvolvido em termos agrícolas e que não tenha os mesmos benefícios de países em desenvolvimento nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).
O recado foi dado nesta semana pela delegação americana durante as negociações que manteve com Brasil, Índia e União Européia, realizadas em Paris. ''Eles (americanos) podem dizer o que quiserem. Mas isso não faz sentido e é uma proposta que não há como prosperar'', atacou o embaixador do Brasil na OMC, Clodoaldo Hugueney.
Considerados como os principais atores na OMC, os quatro participantes concluíram três dias de reuniões na capital francesa cujo objetivo foi tentar encontrar um consenso sobre como fazer avançar o processo, praticamente paralisado desde julho de 2006, e qual deverá ser a agenda das negociações até o fim do ano, prazo considerado como mais realista para a conclusão das negociações.
Para muitos países desenvolvidos, a estratégia é a de dividir o bloco das economias emergentes para evitar que esses países tenham muito poder nas negociações. O que os americanos alegam é que a competitividade brasileira e de outros poucos países emergentes não pode ser comparada com o desempenho de economias em desenvolvimento na África e mesmo na América Latina.
Lobby - A insistência do governo americano é resultado do lobby dos grandes produtores rurais americanos. Em fevereiro, em um encontro entre quase cinco mil produtores agrícolas organizado pela American Farm Bureau nos Estados Unidos, o setor privado americano foi enfático em apontar o Brasil como um dos principais concorrentes das exportações americanas nos mercados mundiais nos próximos anos.
''Na agricultura, o Brasil é Primeiro Mundo e deve ser tratado dessa forma nas negociações, e não como uma economia em desenvolvimento. Essa é nossa posição'', afirmou Larry Wooten, presidente da Farm Bureau do Estado da Carolina do Norte e um dos principais representantes do poderoso lobby agrícola.
Na prática, a posição dos produtores americanos significa que o Brasil teria de fazer os mesmos níveis de concessões que os países ricos e se submeter às mesmas condições que a Europa ou os EUA nas negociações da OMC. Mais importante ainda é que, diante da competitividade brasileira, os subsídios que recebem os americanos estariam justificados.

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