Carmem Murara
De Curitiba
A cônsul geral dos Estados Unidos em São Paulo, Carmem Martinez, defendeu ontem a ‘‘moratória’’ para o pagamento de imposto nas operações de comércio pela Internet (e-commerce). O recado foi passado a empresários e executivos paranaenses, que acompanharam, ontem, o seminário Tendências do Comércio Eletrônico, feito no Centro Integrado das Empresas e Trabalhadores do Paraná (Cietep).
‘‘Os Estados Unidos apóiam a moratória de tarifas e a colocação de impostos sobre o comércio eletrônico’’, disse a cônsul, em depoimento gravado, que foi transmitido durante a abertura do encontro.
Segundo o cônsul comercial dos Estados Unidos, Paulo Mendes, a orientação do governo norte-americano é de que os países não coloquem barreiras para impedir que as negociações pela rede mundial de computadores aconteçam. ‘‘O que se pede é que não sejam criadas taxas ou empecilhos até que a Organização Mundial do Comércio discuta uma regra única para tributar o comércio eletrônico’’, afirmou Mendes. A moratória se destina mais às grandes transações comerciais.
Hoje, as compras e vendas de produtos e serviços pela Internet crescem de maneira espantosa em todo o mundo. No ano passado, foram comercializados US$ 350 bilhões e para este ano são esperados US$ 750 bilhões. Em 2001, o e-commerce ultrapassaria a casa dos bilhões, atingindo US$ 1,3 trilhão.
Um levantamento feito pelo provedor Onda aponta que os Estados Unidos mantêm a liderança no e-commerce, seguido de Japão, Alemanha e Inglaterra. Os Estados Unidos também são os primeiros em número de internautas (110,8 milhões) e de penetração (40,6%). O Brasil tem 6,8 milhões de pessoas conectadas na Internet, o que representa 4% da população.
O e-commerce movimentou US$ 211 milhões no ano passado no Brasil, enquanto nos Estados Unidos foram comercializados US$ 58 bilhões, ou seja, 275 vezes o Brasil. Mas apesar da diferença, o mercado nacional tem grande potencial de crescimento. ‘‘Há uma forte demanda no País e os Estados Unidos estão interessados em buscar novos mercados’’, afirmou Paulo Mendes. Ele destacou que as buscas por tecnologia e informação são crescentes no País.
Mendes aponta que entre as vantagens do e-commerce estão os custos mais baixos e as novas oportunidades de negócio. ‘‘É a maneira mais simples de fazer com que um pequeno empresário de Cascavel possa negociar com um empresário de uma pequena cidade norte-americana’’, exemplificou.
Hoje o que mais se compra pela Internet são livros e computadores, cada um com 39% do total de negócios. Em seguida estão roupas e discos, ambos com 21%, e aparelhos eletrônicos com 19%.