O governo do presidente Bill Clinton, que se encontra nos últimos dias de mandato, pode estar buscando um bode expiatório para tentar esconder o fracasso por não ter conseguido aprovar, em oito anos, o ‘‘fast track’’ (via rápida), autorização que o Executivo recebe do Congresso. A avaliação é de altas fontes do governo brasileiro ouvidos pela Agência Estado, em cima das declarações do embaixador norte-americano Richard Fisher, subordinado da USTR, Charlene Barchefsky, à correspondente do jornal ‘‘La Nación’’ em Washington.
Fisher disse que o Brasil corre o risco de ficar isolado se o Itamaraty mantiver sua oposição à integração continental. Acusou o Brasil ainda de ser imprudente ao castigar o Chile por sua decisão de avançar em uma negociação de livre comércio com os Estados Unidos. O diplomata de segundo escalão do USTR (Escritório de Representação Comercial do governo norte-americano) afirmou também que a atitude do Itamaraty estaria à beira de ser infantil e irresponsável. ‘‘Agora que estão em final de mandato querem acusar o Brasil por seus fracassos, mas não percebem, ou não querem admitir, que foram eles que não tiveram força suficiente para aprovar o fast track’’, disse um alto funcionário do governo.
Outro alto funcionário, que também preferiu manter-se no anonimato, acrescentou que as palavras do diplomata norte-americano só poderiam mesmo ser feitas em final de mandato de um governo que nem sabe para quem vai passar o bastão.

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