Durante as últimas 24 horas, o governo americano lançou uma verdadeira campanha para reverter a situação e salvar o processo e seus interesses. A estratégia foi ''convencer'' os países africanos a aceitar o acordo. Reuniões secretas em Genebra se proliferaram, além de telefonemas entre Casa Branca e capitais africanas. O resultado foi um apelo feito, na noite de sexta-feira, pelos africanos, para que os demais países em desenvolvimento, como Filipinas e Argentina, desistissem de questionar o acordo. O próprio embaixador do Brasil na OMC, Luiz Felipe de Seixas Correa, foi categórico em afirmar que o pedido feito pela África foi um ''fator decisivo'' para que o País aceitasse o acordo. Para um antigo funcionário da OMC, porém, o apelo dos africanos e a divisão entre os países pobres foi ''um dos momentos mais tristes em Genebra para os países em desenvolvimento''.
Entidades como Médicos Sem Fronteira e a Oxfam também fizeram críticas ao processo. ''O acordo foi desenhado para oferecer garantias às indústrias famacêuticas dos Estados Unidos e do Ocidente'', afirmou, Ellen't Hoen, representante do Médicos Sem Fronteira.
Amina Mohamed, embaixadora do Quênia na OMC, porém, garante que o acordo foi uma ''ótima novidade para o povo da África'' e lembrou que, desde que as negociações foram suspensas por falta de acordo, em dezembro de 2002, 2,2 milhões de africanos morreram de doenças como Aids.
Supachai Panitchpakdi, diretor da OMC, também parecia ter tirado um peso de suas costas. ''Esse foi um acordo histórico na OMC e prova que temos a capacidade de responder a problemas humanitários, e não apenas comerciais'', afirmou, lembrando que o texto será assinado formalmente por ministros na reunião de Cancún, em setembro.
O governo americano e a União Européia (UE) também mostraram-se satifeitos com o acordo. Para Pascal Lamy, comissário de Comércio de Bruxelas, o acordo mostra que OMC pode responder aos interesses dos países em desenvolvimento (AE).

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