EUA precisam do Brasil para criação da Alca
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sexta-feira, 24 de janeiro de 2003
Agência Estado 
Genebra - O governo do presidente George W. Bush não prevê a criação de uma Área de Livre Comércio das Américas (Alca) que não inclua o Brasil. A afirmação foi feita pelo secretário de Comércio dos Estados Unidos, Donald Evans, durante sua passagem pela Organização Mundial do Comércio (OMC). ''Estamos convencidos de que o novo presidente brasileiro será um ator fundamental nas negociações da Alca'', afirmou Evans.
Apesar de preferir não comentar sobre o fato de que o Brasil poderia atrasar o envio de suas propostas sobre a criação do bloco, o secretário de Comércio declarou que o importante, neste momento, é conseguir o comprometimento de todos para que as negociações possam ir adiante.
''O presidente (Bush) tem o compromisso de fazer todo o possível para engajar o novo governo brasileiro nas negociações de criação da Alca, e é nisso que estamos focados'', afirmou Evans. Ele destacou que, por enquanto, as mensagens que estão recebendo de Brasília são ''encorajadoras''.
O secretário ainda se recusou a falar sobre a possibilidade de o novo governo brasileiro adotar uma posição mais dura em relação à exigência de que os Estados Unidos abram seus mercados para os produtos nacionais, se quiserem contar com o apoio do Brasil na Alca. ''Já somos um dos países mais abertos do mundo'', afirmou.
Barreiras - O secretário reservou ontem parte da sua agenda para uma conversa privada com o embaixador brasileiro na OMC, Luiz Felipe de Seixas Correa. Durante o encontro, o diplomata brasileiro mencionou que os produtos exportados pelo Brasil sofrem com as barreiras impostas pelos Estados Unidos.
Temas como o protecionismo ao aço e ao suco de laranja fizeram parte das conversas. Além disso, o embaixador brasileiro apontou que os subsídios dados pelos americanos ao algodão e à soja prejudicam a participação dos produtores nacionais no mercado mundial. ''Os Estados Unidos precisam dar o exemplo e devem ampliar sua proposta de liberalização dos mercados agrícolas na OMC'', afirmou Seixas Correa, após o encontro com Evans.
O secretário de Comércio ainda aproveitou a reunião com o representante brasileiro para indicar que considerou ''positivos'' os nomes escolhidos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ocupar os cargos de ministros no governo.


