EUA poderão taxar em até 67,8% camarão do Brasil
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quinta-feira, 29 de julho de 2004
Agência Estado 
São Paulo - O Departamento de Comércio dos Estados Unidos recomendou a imposição de tarifas de até 67,8% sobre as importações de camarão do Brasil, Equador, Índia e Tailândia. Após analisar um processo aberto pelos produtores americanos contra as importações, o departamento concluiu que esses quatro países praticam dumping (venda a preços abaixo do custo de produção) nas exportações de camarão enlatado e congelado.
O departamento norte-americano propôs que as importações do Brasil tenham a tarifa mais pesada: a alíquota é variável e pode ir de zero a 67,8%. Para a Índia a tarifa poderá variar de 3,56% a 27,49%, para a Tailândia de 5,56% a 10,25% e para o Equador 6,08% e 9,35%. A Tailândia, porém, deverá ser o país mais prejudicado. Cerca de metade de suas exportações anuais de camarão US$ 1,8 bilhão vão para os Estados Unidos.
A recomendação do departamento é preliminar. Uma decisão final deve sair até dezembro. Mas os quatro países terão que começar a fazer depósitos em dinheiro no valor igual ao das tarifas até que outra agência do governo americano, a Comissão de Comércio Internacional (ITC), tome a decisão final, em janeiro, sobre se as importações prejudicam a indústria americana de camarão.
Há três semanas os EUA decidiram taxar também as importações de camarão da China e do Vietnã em alíquotas que variam entre 7,67% e 112,81%. Os seis países cujas vendas estão sendo taxadas fornecem 75% do camarão consumido pelos americanos.
O processo contra as importações foi aberto pela Southern Shrimp Alliance, associação que representa milhares de pequenos produtores de oito estados americanos. O grupo quer que o governo estabeleça tarifas de 30% a 267% sobre as importações dos seis países.
Segundo a associação, as importações derrubaram o valor da produção local de US$ 1,25 bilhão em 2000 para US$ 560 milhões em 2002. No início do ano, a ITC disse que existiam evidências de que os produtores americanos de camarão sofreram danos econômicos com as importações e determinou que o Departamento de Comércio estabelecesse as alíquotas das tarifas para cada país.


