EUA podem reduzir os juros hoje
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terça-feira, 30 de janeiro de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Começou a contagem regressiva para a reunião do Federal Reserve. Uma redução de 0,5 ponto percentual nas taxas dos Fed funds e de redesconto já está no preço dos ativos na Bovespa. Como esta é a previsão unânime dos primary dealers americanos e também de Abby Cohen, da Goldman Sachs, a famosa guru de Wall Street, o mercado optou por colocar o pé no freio e aguardar a confirmação desta aposta. O Ibovespa oscilou da mínima de -1,03% à máxima de +0,75%, para fechar em ligeira queda de 0,03%. O volume financeiro somou R$ 641 milhões.
O mercado de lado foi incentivado ainda pela ausência de notícias domésticas de impacto e pela expectativa da decisão do Tribunal Regional Federal de São Paulo sobre a liminar que impede a realização da licitação da Banda C do Serviço Móvel Pessoal. Até as 18 horas, quando o pregão doméstico se encerrava, o desembargador José Kallas ainda não havia proferido sua sentença. De qualquer forma, uma eventual confirmação da liminar não afetaria negativamente a Bolsa, uma vez que favoreceria, em tese, as empresas já instaladas e listadas na Bovespa. Depois do fechamento do pregão, veio a informação de que o despacho do desembargador só será conhecido hoje.
A exemplo de sexta-feira, o dólar comercial oscilou pouco durante o dia de ontem e fechou estável, cotado na venda a R$ 1,975. Analistas afirmaram que o mercado se animou ontem à tarde com a taxa de juro de um dígito de 9,90% ao ano e abaixo das apostas em torno de 10% , paga pelo Banco Central na venda de 2,170 milhões de NBC-E com vencimento em 16/9/2004.
Se for confirmado hoje o corte de 0,50 ponto porcentual no juro nos Estados Unidos (que está em 6% ao ano) pelo Fed, o mercado avalia que poderá haver alguma migração de investidores estrangeiros para países que ofereçam taxas mais atrativas. O Brasil é um desses países e eventual migração de recursos para cá tende a depreciar o dólar frente ao real, ainda que momentaneamente.
Não se espera, de todo modo, que o dólar ceda além de R$ 1,90, afirmou um experiente analista. Até porque se o Copom, em sua reunião em 13 e 14 de fevereiro, vier a definir por nova queda da taxa Selic, que está em 15,75% ao ano, poderá haver alguma procura pelo dólar e essa demanda vai depender do tamanho de eventual corte no juro doméstico.
(Márcia Pinheiro, Marisa Castellani e Silvana Rocha)


