O Comitê de Política Monetária (Copom), que iniciou ontem sua reunião e define hoje como ficará a Selic, o juro básico da economia, já conta com uma boa notícia: a decisão do Fed de manter inalteradas as taxas de juros norte-americanas em 6,5%. Esta decisão só confirmou as expectativas dos mercados internacional e doméstico. Mas deu um pouco mais de fôlego às apostas, até então minoritárias, de que a Selic possa recuar em até meio ponto porcentual.
Assim, na véspera da definição do Copom, o mercado encontra-se dividido basicamente entre três correntes: os que acham que tudo fica como está, Selic em 16,5%, sem viés; os que acham que muda apenas o viés, para baixo, com o Banco Central esperando pelo menos a reunião da Opep (10 de setembro) para reduzir a Selic; e os que acham que a Selic cai para 16%.
Mais do que o Fed, cuja decisão já era esperada, foi o alívio com a situação da Argentina o responsável pelo aumento do otimismo no mercado de juros. Os investidores estão mais confiantes em que o país vá conseguir negociar facilmente novas metas fiscais com o FMI. Na BM&F, os preços dos contratos de DI futuro de maior liquidez (respectivamente abril, dezembro e janeiro) fecharam ontem nas suas máximas, projetando as menores taxas de juros do dia. O DI abril projeta agora 16,54%, ante 16,84% de anteontem; o DI dezembro, 16,28%, ante 16,51%; e o DI janeiro, 16,32%, ante 16,56% de anteontem. O DI a termo de um ano aponta 16,82%, ante 16,92%.
O mercado cambial retomou o otimismo ontem, com os rumores de que a Argentina, além de ter conseguido um ‘‘waiver’’ já teria renegociado o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e, também, por causa da manutenção do juro pelo Fed. Como o fluxo manteve-se positivo e houve pouca demanda, a volatilidade de preço foi pequena, assim como o giro financeiro.
No mercado à vista, o dólar comercial oscilou entre a mínima de R$ 1,816 e a máxima de 1,820. No fechamento dos negócios, a moeda era cotada a R$ 1,817 na venda, com recuo de 0,27% sobre o resultado anterior. Ainda assim, só este mês o dólar comercial contabiliza valorização de 1,91%.
Os analistas avaliaram que a decisão do Fed pode estar sinalizando que não há tanta preocupação do governo norte-americano com os baixos estoques de petróleo e a alta dos preços internacionais.
A boa notícia do dia, a decisão do Fed de manter inalterado o juro norte-americano, aliviou o mercado de ações, mas sem gerar qualquer euforia. A bolsa, depois do anúncio do Fed, chegou a subir quase 2%. Mas acabou recuando e encerrou o dia com modesta alta de 0,83%. Para operadores, a decisão do Copom de hoje deve ter efeito mais intenso sobre os negócios na bolsa.

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