Márcia Pinheiro
e Denise Ramiro
Da Agência Estado
As bolsas de valores mantiveram um ritmo forte de negócios ontem. O Ibovespa fechou em alta de 3,18% – na máxima do dia – e volume financeiro de R$ 1,09 bilhão. O mercado já iniciou o dia entusiasmado com as ações de empresas ligadas à Internet e, nos últimos 45 minutos de pregão, houve o impacto muito positivo da decisão do Fed, que manteve tanto viés como juros inalterados nos EUA.
A manutenção dos juros era esperada pelo mercado. O que surpreendeu favoravelmente foi o viés neutro. Isso porque dois terços dos primary dealers ouvidos pela Agência Dow Jones apostavam em viés de alta. Mas, a julgar pelo breve comunicado do Fed após a reunião, prevaleceu uma postura prudencial. Ou seja, o BC norte-americano não quis gerar mais incertezas do que as já existentes em função do bug do milênio. De todo modo, o Fed sugeriu que um aperto monetário poderá ser necessário mais à frente, que eventualmente poderá ser promovido em 1º e 2 de fevereiro, próxima reunião do comitê de mercado aberto do Fed.
No ranking das maiores altas do Ibovespa, o destaque foi Inepar PN, que disparou 33,52%, para R$ 7,21, com nada menos que 905 negócios. É o setor de tecnologia se beneficiando da onda dos papéis da web. Fora do índice, Globo Cabo PN avançou 21,5%, para R$ 2,99; e livraria Saraiva PN – a eventual versão brasileira da Amazon.com – avançou mais 26,1%, para R$ 8,20.
Já no mercado de câmbio, o Banco Central precisou mostrar a cara para segurar os preços. Segundo executivos, o BC pediu spread para lotes pesados – algo em torno de US$ 10 milhões – o que intimidou as instituições financeiras e fez com que a cotação da moeda norte-americana recuasse das máximas. Novamente, o fluxo estreito permitiu a alta do dólar. A moeda oscilou entre a mínima de R$ 1,813 e a máxima de R$ 1,832. Fechou cotada a R$ 1,828, com alta de 0,88%. Segundo operadores, este será o ritmo até o final do ano: muita oscilação, pouca liquidez e, eventualmente, uma ação mais dura do BC. ‘‘Não interessa ao BC que a cotação suba por causa da inflação’’, disse um executivo.
A redução em US$ 3,435 bilhões das reservas internacionais brasileiras não impressionou. As reservas caíram dos US$ 41,519 bilhões de sexta-feira para US$ 38,084 bilhões ontem, segundo site do BC na Internet. Isso porque, conforme havia explicado no início do mês o diretor de Assuntos Internacionais, Daniel Gleizer, as reservas cairiam porque ontem o País pagou US$ 3,173 bilhões do empréstimo do BIS, parte do pacote de ajuda internacional liderado pelo FMI.
Por fim, o mercado de juros ficou no ‘‘zero a zero’’ nesta terça-feira. As projeções para os contratos futuros oscilaram muito pouco e a liquidez caiu pela metade de anteontem para ontem, quando foram negociados apenas 33,8 mil contratos. Daqui até o final do ano, a falta de notícias deve manter o mercado de juros estagnado.

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