O Federal Reserve (banco central americano) anunciou ontem o aumento dos juros no país em 0,25 ponto percentual. É a primeira elevação desde junho de 2006. Com o aumento, a taxa básica de juros, que serve de referência para a remuneração dos títulos públicos americanos e estava entre zero e 0,25%, passa para 0,25% a 0,50%. A decisão, anunciada pelo comitê de política monetária do Fed em sua última reunião do ano, era esperada pela maioria dos analistas de mercado, devido aos sinais de recuperação da economia americana nos últimos meses.
Dados recentes reforçaram a confiança dos membros do Fed para começar a aumentar os juros. Entre eles, a criação de 211 mil postos de trabalho em novembro e a manutenção da taxa de desemprego em 5%, próxima da média histórica de 4,5% anterior à crise financeira de 2008. Outro dado positivo foi o índice de inflação, que manteve-se inalterada. Em novembro, o índice de preços ao consumidor, que exclui alimentos e energia, teve alta de 0,2% pelo terceiro mês consecutivo.
A expectativa em torno do aumento de juros nos EUA vinha causando ansiedade nos mercados a cada reunião do Fed nos últimos meses, sobretudo em mercados emergentes como o Brasil. A preocupação é que, com a melhor remuneração criada após o aumento dos juros, os títulos americanos atrairão recursos aplicados nos países emergentes, de maior risco, pressionando a alta do dólar. Para Angel Ubide, pesquisador do Instituto Peterson de Ecomomia Internacional, o mercado já absorveu nos preços de ativos possíveis fugas de recursos para os Estados Unidos e a instabilidade de economias emergentes como a brasileira. "O problema do Brasil é interno, não foi criado pela economia americana ou pelo Fed", afirmou Ubide, expressando opinião semelhante à de grande parte dos analistas.
Os juros nos EUA estavam próximos de zero desde dezembro de 2008, quando a crise financeira culminou na falência do banco Lehman Brothers, instalando o pânico nos mercados e mergulhando a economia americana à pior recessão desde a década de 1930. O Fed então cortou a taxa de juros ao mínimo histórico, entre zero e 0,25%, num esforço para impulsionar a recuperação do país.

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