Montreal A União Européia (UE) e os Estados Unidos (EUA) tentarão, nos próximos dez dias, estreitar as enormes diferenças que os separam na crucial questão da redução das tarifas agrícolas. O tema emergiu da reunião informal de ministros de 26 países-chave da Organização Mundial de Comércio (OMC), concluída ontem no Candá, como o principal obstáculo a ser superado para desbloquear as negociações da Rodada de Doha.
A UE e os EUA deverão trabalhar também num acordo sobre os dois outros tópicos importantes das negociações agrícolas: eliminação de subsídios às exportações, que os europeus aceitam fazer apenas parcialmente, e a redução do apoio oficial à produção, que foi destravada pelo recente anúncio de planos de reforma da Política Agrícola Comum (PAC), em Bruxelas.
Os representantes da Europa, dos EUA e dos demais países presentes sublinharam que não se trata de uma repetição do acordo de Blair House, que permitiu a conclusão da Rodada Uruguai, em 1994, sem satisfazer as reivindicações dos países em desenvolvimento e dos grandes exportadores agrícolas do Grupo de Cairns pela liberalização do setor.
Do sucesso do exercício iniciado ontem por funcionários europeus e americanos depende o resultado da reunião ministerial da OMC em Cancún, no mês que vem, que poderá tanto dar novo ímpeto às negociações como produzir um fiasco e forçar o adiamento do prazo de janeiro de 2005 estabelecido pelos países membros da organização para concluir a rodada.
O ministro do Comércio Exterior do Canadá, Pierre Pettigrew, classificou o encontro de Montreal de ''um útil exame da realidade'' da posição dos países. Mas reconheceu que os avanços obtidos em três dias de contatos foram ''tímidos'' e a ''diferenças significativas (que) permaneceram'' não afastaram o risco de um desfecho negativo.

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