As exportações brasileiras encontram vários tipos de barreiras em quase todos os mercados, mas as dificuldades impostas pelos países desenvolvidos têm maior impacto porque são o destino da maior parte das vendas do País, disse o economista Renato Fonseca, da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), que coordenou um levantamento sobre todas as restrições que os produtos brasileiros encontram nos 15 principais parceiros comerciais do Brasil fora do Mercosul.
Os Estados Unidos são o principal parceiro individual para exportações brasileiras, absorvendo cerca de 23% de tudo o que o Brasil vende. Ocorre que 60% dessas exportações estão sujeitas a algum tipo de restrição. O mesmo acontece na União Européia, que é o maior mercado consumidor dos produtos agrícolas brasileiros. O bloco europeu é o principal parceiro comercial do Brasil, principalmente para produtos agrícolas. Para lá vão cerca de 24% das exportações brasileiras. Mas a metade da pauta de exportação para a Europa é composta por produtos agrícolas, os que mais sofrem barreiras nesse mercado.
Mesmo sabendo que nenhum estudo pode ser preciso com relação ao impacto das barreiras na balança comercial brasileira, a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) realizou uma simulação em 1999 sobre os efeitos das barreiras nas exportações brasileiras para os Estados Unidos, Japão e União Européia. De acordo com esse estudo, caso o Brasil pertencesse a uma área de livre comércio com os Estados Unidos, nas mesmas condições que o México possui atualmente, as exportações poderiam ser triplicadas se fossem eliminadas as barreiras. Para o Japão, o incremento poderia ser de 35%. Para a União Européia, considerando os 15 principais produtos da pauta, o ganho poderia ser de 17,6%.

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