EUA e UE não imporão acordo agrícola, diz diretor da OMC
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de julho de 2003
Denise Chrispim Marin<br> Agência Estado 
Brasília O diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Supachai Panitchpakdia, declarou ontem que não haverá chances de os Estados Unidos e a União Européia imporem aos demais membros da OMC um acerto comum sobre a proteção agrícola e outros temas polêmicos da Rodada Doha. Os dois mais poderosos membros da organização decidiram discutir o estreitamento de suas posições nesta semana, em Montreal, e pretendem concluir esse esforço até a conferência ministerial da OMC em Cancún, no México, no início de setembro. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, reiterou que o Brasil não diminuirá suas ambições na área agrícola nessa rodada, mas adiantou que o governo levará a Cancún uma proposta adicional com o objetivo de desobstruir as negociações desse capítulo.
''Dada a complexidade dos acordos em andamento, é importante que os líderes tomem as iniciativas, de modo a definir os níveis de ambição (da rodada) com expectativas viáveis e realistas'', afirmou Supachai, depois de participar de uma reunião e de um almoço de trabalho com Amorim. ''Todas essas negociações entre os Estados Unidos e a União Européia serão submetidas à Genebra (a sede da OMC), para que desfrutem do respaldo de todos os membros da organização. Não há chance de um acordo fechado somente entre eles ser validado'', completou.
Em Montreal, durante a reunião de ministros de 26 dos 146 países da OMC, a União Européia e os Estados Unidos concordaram em tentar estreitar suas diferenças brutais sobre a redução da proteção e dos subsídios à agricultura. Embora a iniciativa seja considerada positiva, trouxe consigo o temor nos demais membros da OMC de reprodução do desfecho da Rodada Uruguai, em 1994. Depois de oito anos de negociações, os representantes dos dois peso-pesados do comércio internacional fecharam um acordo que permitiu a sobrevivência do arsenal protecionista na área agrícola e inclusive a proibição da contestação de seus instrumentos até o final de 2003 - a chamada ''claúsula da paz''.
Esse acerto acabou submetido aos demais membros, como forma de permitir o encerramento daquela rodada. Interessados nos avanços obtidos em outros capítulos, o Brasil e todos os demais países assinaram o acordo final, que também criou a OMC.
Ao lado de Supachai, Amorim acrescentou que ''há consciência'' dos países da OMC sobre o risco de repetição desse artifício. Mas o chanceler acrescentou que, para evitá-lo, o Brasil deverá apresentar seus ''insumos'' em Cancún.


