A secretária de Estado dos EUA, Madeleine Albright, e o presidente da França, Jacques Chirac, reafirmaram ontem seu apoio ao Brasil. Albright citou o ‘‘tumulto financeiro que envolve alguns mercados emergentes’’, mas não disse de que modo esse apoio pode se concretizar. A declaração de Albright foi feita na cerimônia, em Washington, em que o ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, lhe entregou o instrumento de adesão do Brasil ao Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares. Já o presidente francês Jacques Chirac conversou ontem com FHC por telefone.
A secretária afirmou ao ministro que fez questão de destacar em seu discurso o apoio ao Brasil para sinalizar que não é só a área financeira do governo Clinton, mas também a política, que se preocupa com o tema. Alguns analistas observaram que Albright condicionou o apoio à manutenção da política econômica atual quando ela declarou: ‘‘Quero deixar claro o apoio dos EUA aos passos que o Brasil tem tomado e deve continuar tomando para responder ao tumulto’’.
Lampreia também não especificou as formas que esse apoio poderá tomar. Mas indicou que ‘‘há maneiras de fazer esse apoio que não passam pelo Congresso (dos EUA) nem pelo FMI’’. Na quarta-feira, a Câmara dos Representantes (deputados) dos EUA se recusou, por 229 votos a 188, a liberar a cota do país (US$ 14,5 bilhões) para integralizar o aumento de capital do FMI.
Sem a participação dos EUA, que têm 18% das cotas do Fundo, será difícil ocorrer o aumento de capital (de US$ 200 bilhões para 290 bilhões). Mas a Câmara liberou os US$ 3,4 bilhões dos EUA para dobrar a linha de crédito de emergência a que o Fundo pode recorrer em casos de crises sistêmicas dos países-membros. Essa linha de crédito, garantida por 11 países, é de US$ 25 bilhões, dos quais US$ 8,3 bilhões foram destinados à Rússia em julho.
Assim, o FMI dispõe de cerca de US$ 16 bilhões que poderia pôr à disposição de outros países em necessidade. Com a liberação da parte norte-americana, em pouco tempo o FMI terá mais US$ 24 bilhões, totalizando US$ 40 bilhões.
Chirac O presidente da França, Jacques Chirac, disse ontem, em telefonema ao presidente Fernando Henrique Cardoso, que acompanha com atenção a evolução da crise financeira mundial, segundo relato feito pelo porta-voz do Palácio do Planalto, Sérgio Amaral. Durante a conversa, o presidente da França manifestou sua confiança nas políticas que o Brasil vem adotando.
O porta-voz relatou ainda que Chirac expressou a Fernando Henrique o apoio da França à proposta do presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, de uma ação conjugada dos países ricos do G-7 e os organismos internacionais de crédito para a constituição de um fundo de auxílio à América Latina. O porta-voz voltou a dizer que os entendimentos em torno desta ação conjungada ‘‘estão avançando bem na direção da materialização destes recursos financeiros’’.

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