Kemal Jufri/AFPCorrida às comprasPoliciais organizam fila para a compra de óleo de cozinha em Jacarta: pelo segundo dia, consumidor estoca comida com medo de hiperinflaçãoDuas semanas depois de montar uma operação de emergência para evitar uma moratória na Coréia do Sul, antecipando US$ 10 bilhões em desembolsos de pacote de resgate das finanças do país aprovado no início de dezembro, o governo dos Estados Unidos e o Fundo Monetário Internacional (FMI) desencadearam uma nova intervenção na crise asiática, desta vez para tentar estabilizar a economia da Indonésia e convencer seu septuagenário ditador, o presidente Suharto, a honrar o programa de austeridade e reformas que seu governo assinou com o FMI em novembro passado em troca de US$ 43 bilhões em financiamentos.
Após um dia de pânico, em que a bolsa de Jacarta caiu 12% e a rupia, a moeda local, despencou mais de 100%, o presidente Bill Clinton telefonou ao presidente Suharto na noite de quinta-feira. Numa conversa de 25 minutos, Clinton disse ao líder indonésio ‘‘que o programa com o FMI precisa ser seguido e sublinhou a importância da estabilidade na Indonésia para a região e para os EUA’’, disse um alto funcionário da Casa Branca. O vice-secretário do Tesouro, Larry Summers, embarca para Jacarta neste fim de semana, acompanhado por dois altos funcionários do departamento de Estado, para reforçar a mensagem de Clinton e examinar de perto a situação. Com o mesmo objetivo, o vice-diretor-gerente do FMI, Stanley Fischer, chega no domingo. O diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, estará em Jacarta no final da próxima semana.
Alguns dias depois, o secretário de Defesa americano, William Cohen, que está para iniciar um giro pela Ásia, chegará à capital da Indonésia. Sua missão de reafirmar o compromisso de apoio dos EUA ao país e estreitar relações com os generais, que desempenharão um papel central na inevitável transição política que a crise econômica parece impor ao país, após 32 anos de governo autocrático de Suharto.
‘‘O importante é garantir à Indonésia que nós somos seus parceiros, em termos econômicos, políticos e estratégicos’’, disse a fonte do Pentágono. ‘‘Temos nossas diferenças e nossas dificuldades, mas os EUA estão determinados a ter uma relação sólida e estável com o governo da Indonésia’’. Uma nação multi-étnica e quarta maior população do planeta (200 milhões), a Indonésia ocupa uma posição-chave nas rotas de comércio que ligam o Oriente e o Ocidente no Pacífico é a mais influente potência sub-regional no sudeste da Ásia. Uma desestabilização econômica e política do país teria repercussões imediatas em toda a área, dificultando a saída da crise financeira iniciada em meados do ano passado na Tailândia e criando outros problemas.
Na noite da quinta-feira, Stanley Fischer, do FMI, indicou, em entrevista à rede CNN que a instituiçao suspenderá a ajuda à Indonésia se o governo não cumprir os compromissos que assumiu com a instituição. O primeiro desembolso do FMI, de US$ 3 bilhões, foi feito em novembro. O segundo, no mesmo montante, está previsto para março. Fischer deixou claro também que o Fundo quer que Jacarta demonstre com ações concretas vontade política para reformar o sistema bancário e contrariar interesses econômicos poderosos.
O dirigente do FMI disse que o orçamento anunciado por Suharto na terça-feira não é o maior problema e deixou uma porta aberta para negociar metas fiscais mais flexíveis se o líder indonésio excluir despesas injustificáveis, como as hidrelétricas de suas filhas. ‘‘O objetivo é cortar gastos em projetos que não fazem nenhum sentido econômico’’, disse Fisher.

mockup