Os países do Nafta (Canadá, Estados Unidos e México) suspenderam ontem o veto à importação de carne bovina brasileira. A informação foi divulgada pela assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura às 19h30, após receber a confirmação dos canadenses. O embargo à carne brasileira, que estava em vigor desde o dia 2 de fevereiro, foi adotado inicialmente pelo Canadá. Estados Unidos e México também adotaram o embargo devido ao acordo comercial com o Canadá, conhecido como Nafta.
De acordo com o governo canadense, a medida foi adotada porque o governo brasileiro deixou de enviar informações, solicitadas desde 1998, sobre o rebanho bovino. O Canadá alegou que poderia haver risco da existência do mal da vaca louca no país, devido à importação de gado de países europeus.
O embargo foi suspenso dentro do prazo de 15 dias dado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, que criticou publicamente a decisão canadense. O governo brasileiro sempre alegou que não havia risco do mal da vaca louca no país.
Na semana passada, um missão com técnicos do Nafta chegou ao Brasil para recolher informações sobre o rebanho bovino. Depois de visitas a laboratórios, frigoríficos e fazendas, eles retornaram aos seis países (EUA, Canadá e México) para concluírem o relatório que gerou o fim do embargo.
Embora a exportação de carne bovina para o Canadá seja pequena – US$ 5,3 milhões no ano passado –, a medida afetou as vendas para os EUA, que, no ano passado, importou US$ 80,5 milhões de carne brasileira. Além disso, ela repercutiu negativamente no mercado externo, segundo as autoridades brasileiras.
O veto à carne brasileira gerou protestos não só do governo, que ameaçou adotar medidas de retaliação, mas também de empresários e sindicalistas. FHC chegou a falar que, após a medida, não havia clima para comparecer à reunião da Alca (Área de Livre Comércio das Américas), que acontecerá em Quebéc (Canadá) em abril.
Desde que a medida foi anunciada, o governo brasileiro avaliava que o problema não era sanitário, mas uma retaliação ao país devido à briga entre a brasileira Embraer e a canadense Bombardier, que disputam o mercado de aeronaves regionais.
A decisão canadense também levou o Brasil a apresentar à OMC (Organização Mundial do Comércio) proposta de criação de um instrumento que responsabilize os países que decidirem embargar, por motivos sanitários, importações sem estudos conclusivos sobre o risco dos produtos importados.

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