Brasília - Depois de investir na abertura do mercado russo para a carne brasileira, o governo, agora, irá tentar um novo nicho para as exportações de carne bovina na Argélia e nos Estados Unidos.
O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luiz Carlos de Oliveira, e dirigentes da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas (Abiec) estarão em Argel nos dias 4 e 5, fazendo contatos com as autoridades sanitárias argelinas para saber quais os requisitos que as empresas terão de cumprir para se habilitar a exportar carne bovina para aquele país.
Nos dias 7 e 8, o mesmo grupo irá a Washington retomar negociações iniciadas há mais de um ano para exportar carne bovina ‘‘in natura’’ e que foram interrompidas devido ao ressurgimento da aftosa no Sul do País em meados do ano passado.
Oliveira disse que na reunião que deverá ter com técnicos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) fará uma explanação sobre a situação da sanidade animal no Brasil e a produção de bovinos. Ele também irá obter informações sobre o estágio em que se encontra uma solicitação para análise de risco das exportações brasileiras de carne in natura. ‘‘Este processo foi iniciado em 1999, mas foi interrompido devido a mudanças no governo americano e ao retorno da aftosa no Brasil’’, observou.
A intenção é acelerar este processo para que empresas brasileiras possam exportar carne bovina da região livre da febre aftosa com vacinação (Centro-Oeste, Leste e Santa Catarina). O Rio Grande do Sul, que registrou 30 focos de aftosa no ano passado, por ainda ser considerado zona infectada, não poderá ser incluído na negociação.
O diretor-executivo da Abiec, Enio Marques, que integrará a missão que irá à Argélia e aos Estados Unidos, disse que a retomada das negociações para exportação de carne bovina ‘‘in natura’’ ao mercado americano é muito importante para o setor.
Os Estados Unidos são os maiores importadores de carne bovina do mundo, com a aquisição de 1,23 milhão de toneladas entre os 5,5 milhões de toneladas que são importados ao ano pelos diversos países do mundo. Em segundo lugar, vêm o Japão e a Rússia, com a importação anual de 1 milhão de toneladas e 600 mil toneladas, respectivamente.
Marques alerta, no entanto, que se as negociações evoluirem satisfatoriamente o Brasil só poderá exportar carne ‘‘in natura’’ para o mercado americano dentro de aproximadamente um ano, devido ao longo processo burocrático que precisa ser cumprido. Somente entre a entrega de um estudo sobre a estrutura legal, produção e condição da indústria e avaliação da análise de risco com relação à ocorrência de febre aftosa são consumidos cerca de seis meses, segundo ele. Depois desse período ainda é necessário cumprir outras formalidades, que exigem mais alguns meses.

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