EUA dispostos a eliminar barreiras
O subsecretário de Estado para Assuntos Econômicos, Comerciais e Agrícolas do governo dos Estados Unidos, Stuart Eizenstat, afirmou ontem, após almoço na Câmara Americana de Comércio, que está disposto a trabalhar para que não haja barreiras artificiais à importação de produtos agrícolas brasileiros. Eizenstat disse que a recente decisão do Brasil de liberar a importação de trigo de grão duro dos Estados Unidos vai favorecer a relação comercial entre os dois países. Estamos dispostos a trabalhar com o Brasil para evitar que qualquer produto agrícola seja bloqueado por barreiras sanitárias artificiais, afirmou o subsecretário.
Ele observou que o Brasil já detém superávit comercial com os Estados Unidos na balança agrícola de US$ 1 bilhão e que é o maior beneficiado no sistema geral de preferências para produtos agrícolas. Ele admitiu, no entanto, que tem conhecimento das reclamações de produtores brasileiros de suco de laranja, mas alertou que não existem restrições artificiais ou novas barreiras ao produto nos Estados Unidos.
Segundo ele, são duas as causas da redução do market share brasileiro. A primeira razão é que a produção norte-americana de concentrados de suco de laranja aumentou significativamente e a segunda é o sistema de preferência ao México dentro da Área de Livre Comércio das Américas (Nafta), que inclui o suco de laranja. Sobre a ajuda de três milhões de toneladas de alimentos à Rússia, Eizenstat disse apenas que é um pacote muito importante para aquele país no momento de crise.
Questão do trigo No caso do trigo, objeto de recente acordo, o produto importado dos EUA estava vetado por causa do fungo Tilletia Controversa kuhn. Apesar da avaliação da Secretaria de Defesa Agropecuária que a proliferação do fungo só ocorre em solos com temperaturas bem baixas, o risco não está totalmente descartado.
Mas além do fator sanitário, existe o fator preço, mais determinante. O trigo, argentino, sem barreiras pelo acordo do Mercosul, chega ao Brasil a US$ 164/tonelada (Cif Rio de Janeiro); o norte-americano custa US$ 184/t.
Para os técnicos do Ministério da Agricultura, a principal praga que restringia a entrada do produto no País, a Tilletia, não é mais um empecilho, mas restam outras três pragas e os americanos mandaram para a Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério um extenso relatório de análise de riscos com a garantia de que elas não proliferarão no Brasil. A rigor, se os Estados Unidos quiserem exportar trigo hoje para o Brasil eles podem, desde que enviem um certificado de origem garantindo que o produto vem de área livre das pragas, explica o secretário de Defesa Agropecuária, Ênio Marques. Mas os americanos não querem.
O adido agrícola da embaixada dos Estados Unidos, Rudd Finn, disse há alguns meses que os americanos são muito sérios e que não dariam o certificado de origem porque sabem que o trigo pode ser misturado nos portos com produtos de regiões que têm as pragas, mesmo sabendo que elas não prejudicariam as lavouras brasileiras.
O que os americanos querem mesmo, segundo o chefe da divisão de cooperação técnica e acordos sanitários internacionais do Ministério, Francisco Arinos Costa e Silva, é uma abertura ampla, que está prevista na minuta de portaria a ser publicada após negociações com a missão. O Brasil aproveitou o interesse e pediu o fim das restrições às frutas brasileiras e às carnes do Sul.
Na área agrícola três itens deverão ser negociados com os americanos em troca da liberação das exportações de trigo - e que foram discutidos com a missão norte-americana em outubro: as vendas do mamão papaya e de limão taiti, e das carnes frescas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, Estados reconhecidos como áreas livres de febre aftosa.ArquivoInspecionadoEUA são os maiores importadores de carne do Brasil, mas só compram produtos processados. Exigências vão além da inspeção sanitáriaRenata de Freitas
Agência Estado





