Washington - Os Estados Unidos anunciarão hoje uma proposta de limitação dos subsídios domésticos à agricultura a um teto de 5% do valor da produção agrícola na rodada global de negociações da Organização Mundial de Comércio (OMC), lançada em Doha. A fórmula reduziria o apoio americano de ''caixa amarela'' de US$ 19,5 bilhões por ano - pagamentos lesivos ao comércio que foram, por isso mesmo, limitados pela rodada Uruguai - para aproximadamente US$ 9,5 bilhões em 2006.
Antes da recente aprovação da Lei Agrícola dos EUA (Farm Bill), que elevou à francesa os pagamentos à produção, os subsídios à produção agrícola estava na casa dos US$ 10 bilhões. A proposta americana implicaria num drástico corte, senão na eliminação dos US$ 73,5 bilhões em subsídios domésticos adicionais previstos pela Farm Bill. Mas ela significaria um corte ainda mais severo dos pagamentos de ''caixa amarela'' da União Européia. Estes teriam de cair de US$ 60 bilhões para cerca de US$ 10,5 bilhões - ou 5% da produção agrícola estimada de US$ 220 bilhões.
No capítulo do acesso a mercados, a proposta americana defende a eliminação dos picos tarifários e uma ''harmonização'' de tarifas ao nível das que são praticadas hoje nos EUA. Segundo o Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), Robert Zoellick, a tarifa média dos EUA para importações agrícolas é de 12%. Ela se compara a tarifa média de 31% na Europa e 50% no Japão.
Segundo os especialistas, o USTR e o ministério da Agricultura terão que apresentar de uma maneira que convença os agricultores de que eles conseguirão preços melhores por seus produtos. ''Eles terão que convencê-los de que conseguirão um retorno melhor do mercado do que aquele que obtêm em subsídios do governo'', disse uma fonte do setor privado. O objetivo político imediato da proposta, que tem prazo apara ser apresentada até o final deste mês, parece ser o de tirar Washington da posição defensiva a que foi reduzido pela Farm Bill. O anúncio foi calculado para acontecer um dia antes de uma reunião que a secretária da Agricultura, Anne Veneman, terá na sexta-feira com seus colegas da UE, Canadá, Japão e Austrália. A OMC iniciará o debate do tema na próxima segunda-feira.

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