O presidente do Federal Reserve (FED), o banco central dos EUA, Alan Greenspan, e o secretário do Tesouro norte-americano, Robert Rubin, jogaram água fria nas expectativas de que um pacote de auxílio para a América Latina possa estar em preparo nos países ricos.
Rubin disse que é ‘‘prematuro’’ falar sobre a possibilidade de os EUA e outros integrantes do Grupo dos Sete (países mais ricos do mundo) ajudarem financeiramente o Brasil e seus vizinhos. ‘‘O que acontece no Brasil é obviamente muito importante para o resto da América Latina. Mesmo assim, é provavelmente prematuro comentar pontos específicos além de que esse tema tem sido objeto de nosso extremo interesse’’, afirmou Rubin em depoimento à Comissão de Bancos da Câmarados Representantes (deputados).
Greenspan, na mesma ocasião, afirmou que, ‘‘seguramente não há neste momento qualquer esforço para coordenar cortes em taxas de juros’’ nos países industrializados. Baixar os juros nos países ricos tem sido uma das principais reivindicações da América Latina como forma de estancar a fuga de dólares da região e combater uma recessão econômica mundial.
Qualquer pronunciamento de Greenspan é acompanhado com enorme interesse pelos mercados financeiros, que tentam entrever em suas palavras orientações sobre como agir em relação ao futuro. Ontem, Greenspan sugeriu que tem havido alguma ‘‘erosão’’ na economia norte-americana mas não deu nenhum indício de que pretenda baixar as taxas de juros na próxima reunião do FED, marcada para o dia 29 de setembro.
Rubin fez muitos elogios ao Brasil e à política econômica do governo FHC, durante seu depoimento. ‘‘O Brasil é enormemente importante para os EUA’’, afirmou ele, e o Departamento do Tesouro está ‘‘focalizado’’ nos
desdobramentos da situação econômica brasileira e no ‘‘risco de impactos adicionais’’ à crise mundial em consequência desses desdobramentos.
Nos debates que se seguiram, o subsesecrtário do Tesouro, Larry Summers, também falou sobre os sucessos do Plano Real e disse que a estabilidade da moeda é ‘‘fundamental’’ para ele continuar dando certo. Mas ninguém respondeu diretamente à questão que havia sido colocada: como os EUA pretendem ajudar a manter o real estável.
Greenspan, embora tenha afirmado que nada está sendo feito no momento, não fechou a porta para um esforço concentrado dos países ricos para impedir que a recessão da Ásia se espalhe pelo mundo. Ele disse que seus técnicos estão em ‘‘contato próximo’’ com os dos outros países do Grupo dos Sete, monitorando a situação.
O presidente do Fed deu conselhos aos países de economia emergente, como Brasil: fortalecer o sistema bancário, supervisionar melhor a entrada de capitais de risco mas sem impor controles sobre o fluxo de moedas estrangeiras.

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