EUA defendem programas sociais
Os Estados Unidos pediram ontem que o BID aumente seu apoio aos programas de inclusão social, para assegurar uma prosperidade compartilhada e duradoura no hemisfério. ‘‘O desafio dominante de nossa região hoje em dia deve ser a promoção de uma prosperidade que seja includente e possa ser sustentada’’, disse o secretário do tesouro americano, Larry Summers, em um discurso na sessão inaugural da 41ª Assembléia Anual do BID.
Summers foi eleito presidente da assembléia de presidentes do BID para os próximos 12 meses, durante os quais dirigirá um processo de revisão da estratégia do banco. Ele disse que o BID deveria dirigir seus empréstimos para prioridades sociais básicas, aumentando a proporção de financiamento a programas de redução da pobreza e justiça social acima dos 40% fixados nas políticas vigentes.
O presidente eleito defendeu também maior flexibilidade nos empréstimos a projetos do setor privado, atualmente limitados a 5% da carteira do banco. Summers se pronunciou para reduzir o volume de empréstimos em épocas de ‘‘vacas gordas’’ a fim de construir reservas para agir com maior força em casos de crises repentinas e estimou que o banco deveria cobrar juros um pouco mais altos aos países que têm acesso aos mercados privados de capitais, e incrementar seus empréstimos para projetos de âmbito regional.
Summers ainda anunciou o apoio dos Estados Unidos à participação plena do BID na iniciativa de alívio da dívida dos países pobres muito endividados com os órgãos multilaterais. Passou em revista a situação regional, e destacou que a América Latina soube sustentar as reformas ao longo da última década, avançando para o que o presidente Bill Clinton descreveu como ‘‘a revolução silenciosa’’ de ‘‘valores comuns, democracia, livre mercado, respeito mútuo e cooperação’’.
Ele também salientou a maneira como o Brasil derrotou os prognósticos pessimistas e superou rapidamente a crise que o obrigou a desvalorizar e flutuar sua moeda em janeiro de 1999, e como o México cresceu 3,6% e os papéis de sua dívida foram classificados ‘‘grau de investimento’’, culminando um ano bem-sucedido. Estimou enfim que em 2000 a América Latina deve crescer em média mais de 3% (contra 0,3% em 99).