Whashington – O presidente dos EUA, George W. Bush, anunciou ontem a imposição de cota e tarifas de 8% a 30% por três anos sobre vários produtos de aço exportados pelo Brasil e pelo resto do mundo.
A decisão afeta diretamente as vendas da União Européia e do Japão para os EUA, mas preserva o volume médio das exportações brasileiras de placas de aço, principal produto siderúrgico vendido pelo País.
Outros produtos siderúrgicos exportados pelo Brasil foram afetados, mas, como os EUA já impunham várias restrições sobre a maioria deles, avaliava-se ontem que as medidas acabaram sendo brandas para o Brasil – considerando as enormes pressões protecionistas que levaram Bush a tomar a decisão e o tratamento rígido dado à UE e ao Japão.
‘‘Cabe às autoridades brasileiras responder se gostaram ou não das medidas’’, disse o negociador comercial norte-americano, Robert Zoellick. ‘‘Telefonei para o chanceler (Celso) Lafer e o informei sobre elas. Cerca de 85% a 90% do aço brasileiro exportado para os EUA não serão afetados’’, disse.
As importações norte-americanas de placas de aço, que estavam até agora livres de qualquer tarifa ou cota, são tradicionalmente responsáveis por mais de dois terços das exportações siderúrgicas brasileiras para os Estados Unidos.
Com relação a esse produto, Bush decidiu que não haverá cobrança de tarifa sobre os primeiros 5,95 milhões de toneladas métricas (ou 5,4 milhões de toneladas curtas, conforme a medida usada pela Casa Branca) importados do resto do mundo, mas será exigida uma tarifa de 30% sobre a tonelada adicional.
Há dúvidas sobre como calcular a cota de cada país dentro do teto de 5,95 milhões de toneladas. No entanto, Peter Allgeier, vice-representante comercial do governo norte-americano, explicou à Agência Folha que a divisão dessa conta será feita com base nos volumes exportados por cada país no ano passado. ‘‘De uma maneira geral, posso dizer que serão preservados os volumes de 2001’’, afirmou.
No ano passado, o Brasil exportou 2.387 milhões de toneladas de placas semi-acabadas aos EUA. Esse produto serve como matéria-prima para setores da própria indústria siderúrgica americana e grandes setores industriais.
Com relação a outros produtos siderúrgicos, Bush impôs as seguintes tarifas: aço plano, 30%; folha de flandres, 30%; laminado a quente e a frio, 30%; barra inox, 15%; cabo inox, 15%; fio inox, 8%, e vergalhão, 15%.
O tratamento dado ao aço laminado é um bom indicativo das razões complexas pelas quais o Brasil não teria sido severamente afetado.

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