EUA dão ultimato sobre subsídios agrícolas
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de junho de 2003
Jamil Chade<br>Agência Estado 
Sharm El-Sheik (Egito) - O governo dos Estados Unidos deu ontem durante a reunião de cerca de 30 países no Egito, um ultimato de cerca de um mês aos europeus, japoneses, suíços e demais governos protecionistas para que tomem algum decisão sobre como pretendem abrir o mercado mundial para os produtos agrícolas.
Caso contrário, Washington não se comprometeria em fazer concessões para que a Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) atinja seus objetivos, em setembro em Cancun. Entre os objetivos está a redução de barreiras a produtos de países emergentes como o Brasil.
O recado da Casa Branca foi dado durante o encontro entre 30 ministros, no balneário de Sharm El-Sheik, que contou com a presença dos ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim; do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e da Agricultura, Roberto Rodrigues. O evento, que termina, tem como objetivo conseguir que a rodada de negociações comerciais saia do impasse em que está. Mas até a tarde de ontem, os representantes de cada país somente somavam decepções sobre as negociações para a liberalização do mercado agrícola.
A mensagem dos Estados Unidos foi dada pelo representante da Casa Branca para assuntos comerciais, Robert Zoellick, que alertou que precisaria ver algum movimento no próximo mês. Dependerá da UE se vamos permanecer em um impasse ou se avançaremos nas negociações, afirmou Zoellick.
Decepção - Para o Brasil, a insistência por resultados urgentes na negociação é válida, mas diplomatas lembram que não adiantará adotar qualquer acordo. A substância deve ser mantida, afirmou o embaixador Clodoaldo Hugueney, um dos principais negociadores do País na OMC e que quer que subsídios agrícolas sejam eliminados.
O comissário de Comércio da UE, Pascal Lamy, garantiu que Bruxelas irá tratar do problema agrícola, mas que para isso um novo texto deverá ser escrito para que o cronograma de liberalização seja aceito pelos europeus. Segundo o atual texto, os subsídios estariam eliminados ao final de nove anos, contando a partir de 2005.
Brasil, Austrália, Estados Unidos e Canadá rejeitaram o argumento de Bruxelas de que um novo texto seria necessário. Se houver um novo texto, terá que ser ainda mais ambicioso, e não o contrário, afirmou Hugueney. Ministro do Comércio do Canadá, Pierre Pettigrew, garantiu que países não vão reduzir ambições em termos da abertura dos mercados agrícolas.


