Arquivo FolhaMercado paraleloPesquisa publicada pelo jornal ‘The New York Times’ constatou que 90% dos produtos vendidos em Ciudad del Este são falsificados: fornecedores estão em países asiáticos e até no BrasilO governo dos Estados Unidos deu um prazo de seis meses para que o Paraguai combata com eficiência a venda de produtos falsificados, principalmente em Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu. Se a exigência não for cumprida, o governo norte-americano ameaça incluir o Paraguai em uma ‘‘lista negra’’ de países que não respeitam direitos autorais e o sistema de marcas e patentes.
A principal consequência da medida poderá ser a taxação de produtos paraguaios exportados para os Estados Unidos. Eventuais sanções também poderão complicar as negociações do país sul-americano com outros parceiros comerciais. Atualmente o Paraguai exporta apenas cerca de US$ 600 milhões por ano para os Estados Unidos, mas tem a expectativa de ampliar esse mercado com a venda de carne bovina, já que, ao contrário do Brasil, obteve a classificação de ‘‘país livre da febre aftosa’’.
O ultimato do governo norte-americano foi dado pela embaixadora em Assunção, Maura Hart, depois que o jornal ‘‘The New York Times’’ publicou reportagem com uma pesquisa que constatou que 90% dos produtos vendidos em Ciudad del Este são falsificados. Apesar de o fluxo de sacoleiros estar em baixa, a cidade fronteiriça faturou, no ano passado, cerca de US$ 2,5 bilhões.
Desde julho do ano passado, o governo paraguaio desenvolve, com o apoio dos Estados Unidos, um programa de combate à pirataria. Até fevereiro, a soma de mercadorias falsificadas apreendidas e destruídas atingiu US$ 30 milhões. Mas os americanos não estão satisfeitos com esses resultados. Enviaram técnicos para dar cursos aos fiscais paraguaios e prometeram mais ajuda financeira para o programa, cujos valores não foram divulgados.
O governo e empresários paraguaios alegam que, sozinhos, não têm condições de fazer um combate efetivo à pirataria. ‘‘Precisamos de ajuda de outros países, principalmente do Brasil e da Argentina’’, disse à Folha o presidente do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap), Charif Hammoud. O Cicap reúne as 80 maiores empresas de Ciudad del Este.
Na opinião de Hammoud, o Brasil teria muito a ganhar ajudando a combater a pirataria no Paraguai. ‘‘Boa parte dos produtos falsificados, como por exemplo os CDs, são de autores brasileiros. Além disso, o consumidor brasileiro seria beneficiado com a compra de produtos de qualidade’’. Hammoud disse achar ‘‘exagerada’’ a pesquisa sobre a pirataria divulgada pelo jornal norte-americano.
A maior parte dos produtos falsificados vendidos no Paraguai não é fabricada no país. Os fornecedores desse mercado paralelo estão em países asiáticos e até no Brasil.

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