EUA cortam juros e taxa Selic pode cair
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quinta-feira, 01 de fevereiro de 2001
Agência Estado Do Rio 
O Federal Reserve (banco central dos Estado Unidos) reduziu as taxas de juro básicas norte-americanas pela segunda vez em um mês e indicou que novos cortes poderão ocorrer se a economia continuar a enfraquecer. Em meio a anúncios de demissões por parte de empresas e uma acentuada queda na confiança do consumidor, o Comitê de Mercado do Fed (Fomc) votou por uma nova redução de 0,50 ponto porcentual na taxa dos Fed Funds, para 5,50%. As autoridades monetárias também optaram por manter a predisposição em favor de taxas de juro mais baixas, oferecendo um conforto para empresários e investidores que temem que a economia dos EUA possa já estar em recessão. A taxa de redesconto também caiu 0,50 ponto porcentual, para 5,0%. - Economistas ouvidos pela Agência Estado consideram que o o corte de 0,50 ponto porcentual na taxa de juros dos EUA abre espaço para uma redução também de 0,50 ponto porcentual na taxa de juros básica brasileira, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no mês que vem. O ex-presidente do Banco Central, Gustavo Loyola é um dos que fazem essa avaliação.
Para Loyola, a decisão do Federal Reserve (FED), o banco central dos Estados Unidos, é positiva para o Brasil porque reduz o custo da nossa dívida e dá maior atratividade aos ativos brasileiros. Além disso, a dimensão do corte de juros não indica pânico de que o país esteja entrando em recessão. Segundo Loyola, embora as exportações brasileiras sejam atingidas pelo desaquecimento da economia americana, a repercussão principal para o Brasil, segundo Loyola, é na área financeira, facilitando e baixando o custo das captações brasileiras.
Igual opinião tem o economista da Fundação Getúlio Vargas Renato Fragelli, para quem a redução dos juros americanos é ótima para o Brasil e levará a uma redução da taxa Selic na mesma proporção. Fragelli explica que considera a medida positiva principalmente porque evita a inadimplência de empresas americanas, que estão muito endividadas, o que poderia fazer os bancos reduzirem o crédito para outros países, como o Brasil.
O economista-chefe do BBV Banco, Octávio de Barros, discorda. O economista acredita que é preciso esperar de um a dois meses para observar a magnitude do ajuste nos Estados Unidos, antes de afirmar imediatamente que ele será benéfico. Barros afirma que a dimensão desse ajuste é imprevisível e que ele trabalha com uma perspectiva de crescimento abaixo de 2% da economia dos EUA neste ano.
O ex-ministro da Fazenda, Marcílio Marques Moreira, vê mais aspectos positivos do que negativos para o Brasil com a desaceleração da economia americana. Teríamos de estar mais preocupados se tivéssemos uma pauta de exportações voltada para os Estados Unidos, como o México. Apenas cerca de 20% de nossas exportações são para os americanos, diz.


