As Bolsas domésticas reagiram fortemente no final da tarde com o anúncio inesperado de Fed de reduzir a taxa de juros norte-americana. O Federal Reserve cortou as taxas do Fed Funds e de redescontos em 0,25 pontos percentuais e justificou a medida como necessária para manter o crescimento econômico diante da ‘‘cautela cada vez maior dos doadores de crédito’’. A decisão do Fed pode ter relação com o risco de ‘‘credit crunch’’, citado recentemente por seu presidente, Alan Greenspan.
A Bovespa, que já vinha apresentando bom desempenho antes da notícia - subia mais de 3% até as 17h15 - ultrapassou os 5% depois do anúncio, Encerrou o pregão com forte alta de 6,65%, em 6.874, seguindo o Dow Jones, que deu um salto após a declaração do Fed para mais de 200 pontos, fechando o dia com alta de 331 pontos.
Foi uma surpresa total a decisão do Fed, pelo menos para ontem. Surpreendente até porque o principal indicador anunciado ontem, o PPI, veio acima do esperado, indicando pressão inflacionária, ou seja, não sugerindo queda de juro. Greenspan está mostrando com isso que, agora, está mesmo mais preocupado com o risco de a crise atingir os Estados Unidos com força - e disparar uma nova onda da turbulência global - do que com as pressões inflacionárias.
Em entrevista ontem à GloboNews, o diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central, Demósthenes Madureira Pinheiro Neto, disse que os problemas com fundos e bancos nos EUA poderiam, potencialmente, levar a um crash como o de 29, mas adiantou que isso não deveria ocorrer por causa da provável intervenção das autoridades americanas. Greenspan, ao baixar os juros ontem, mostrou que realmente está disposto a impedir uma ampliação da crise. Ao mesmo tempo, ao cortar as taxas de forma inesperada (a expectativa era que o corte viesse na próxima reunião do Fed, em 17/11), parece admitir que os riscos de agravamento são maiores do que se imaginava.
Circularam rumores ontem sobre um megapacote que estaria sendo preparado para o Brasil. O rumor não teve confirmação oficial, mas teve respaldo em previsão feita pelo analista Richard Medley, da Medley Global Advisors, de que o fundo de contingência do FMI para emergentes pode atingir US$ 150 bilhões.
No meio da tarde, o mercado já começava a se movimentar em função do exercício de opções que acontecem hoje em Nova York e na próxima segunda-feira no mercado brasileiro. A expectativa para o vencimento vinha puxando as cotações no início da tarde, junto com a alta da bolsa de Nova York.
Uma surpresinha do Fed deixou o mercado animado, como há dias não se via. O BC norte-americano cortou em 0,25 ponto percentual a taxa de juro do redesconto e a dos Fed Funds. A notícia, que não era esperada por ninguém, trouxe para os investidores um certo alívio de que, de fato, os Estados Unidos estão preocupados com a crise financeira que atinge mais intensamente os países emergentes. Talvez não por solidariedade. Mas pela clara noção de que uma onda de quebradeira no terceiro mundo ameaçaria até a mais forte potência do capitalismo.
Também reforçou o clima de otimismo a informação do analista Richard Medley, da Medley Global Adviser, de que o fundo para prevenir crises financeiras em mercados emergentes pode ser de US$ 100 bilhões a US$ 150 bilhões. Mas o que impactou imediatamente foi o corte do juros americanos. Assim que a medida surgiu nas agências de notícia, a bolsa paulista reagiu e acabou fechando em alta de 6,76%. Em Nova York, a notícia também caiu bem e o Índice Dow Jones evoluiu 370 pontos.

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