Os Estados Unidos apoiaram ontem a inclusão da abertura agrícola em uma nova rodada multilateral da Organização Mundial do Comércio (OMC). A posição foi apresentada pelo próprio representante americano para o Comércio, Robert Zoellick, que participa como convidado especial da reunião do Grupo de Cairns, clube da OMC composto pelos exportadores agrícolas que não subsidiam seus produtores.

''No curto prazo, temos uma estratégia comum para Doha'', declarou Zoellick, referindo-se à capital do Catar, onde ocorrerá a próxima reunião ministerial da OMC. Esse encontro, em novembro, terá como objetivo definir o lançamento de uma nova rodada multilateral. ''Ficou muito claro que há convergência entre o Mercosul, os Estados Unidos e o Grupo de Cairns sobre a necessidade de a rodada incluir os temas agrícolas'', completou.

Zoellick valeu-se de antigas argumentações de integrantes do Grupo de Cairns, como os países do Mercosul, para justificar a opção de seu país. Afirmou que não há possibilidade de crescimento sustentável das economias em desenvolvimento, como a do próprio bloco sul-americano, sem a expansão do comércio agrícola.

Nos últimos anos, os Estados Unidos vêm se mostrando interessados em uma nova rodada na OMC principalmente pela possibilidade de pressionar a União Européia a eliminar seus subsídios aos produtores e às exportações agrícolas. Esses mecanismos afetam tanto as vendas do agronegócio dos países do Grupo de Cairns, principalmente as do Brasil e de seus sócios do Mercosul, quanto as dos Estados Unidos.

De acordo Zoellick, uma rodada seria o ambiente ideal para a negociação desse tema porque permitiria a discussão de temas considerados sistêmicos, como os subsídios à agricultura. O mesmo dificilmente ocorreria nas discussões de acordos regionais ou bilaterais.

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