Toshifumi Kitamura/France PresseKeizo Obuchi e o ministro das finanças, Kiichi MiyazawaO Departamento americano do Tesouro pediu ontem ao Japão que realize reformas ‘‘enérgicas’’ no setor bancário e estimule a economia, disse um funcionário americano em Washington. No plano de saneamento apresentado pelo novo primeiro-ministro japonês, Keizo Obuchi, há ‘‘passos construtivos e animadores’’, destacou a fonte, mas Washington espera que Tóquio aplique as medidas rapidamente.
Obuchi se comprometeu a realizar um saneamento excessivamente rigoroso do setor bancário e adotar importantes medidas de reativação com a finalidade de que a segunda economia mundial recupere o crescimento ‘‘em um ano ou dois’’.
A rápida recuperação da economia japonesa é crucial não só para o Japão, mas também para a Ásia como um todo e os demais mercados emergentes, bem como para a economia mundial em seu conjunto’’, disse o funcionário.
‘‘O Governo japonês também precisa intervir amplamente, além de adotar ações para reforçar e reestruturar seus bancos, liquidar os empréstimos não cobráveis e melhorar a supervisão dos bancos e da informação’’, continuou o funcionário.
A Bolsa de Tóquio fechou em baixa de 47,05 pontos (0,29%), com o índice Nikkei em 15.829,17 pontos. O discurso do premiê Obuchi ao Parlamento japonês decepcionou o mercado por não conter anúncio de novas medidas econômicas. Tudo o que Obuchi falou sobre reformas já havia sido anunciado antes. A queda do iene, a dos demais mercados asiáticos e os temores de desvalorização do yuan também pressionaram os preços das ações em Tóquio. Os analistas ficaram céticos, duvidando que o plano de Obuchi inclua medidas suficientemente específicas e drásticas para tirar o Japão da recessão.
Robert Manning, diretor de estudos asiáticos do Council on Foreign Relations, disse que os funcionários americanos reagiram com cautela porque Obuchi evitou se comprometer com o que mais lhe interessava: amplas reformas no setor financeiro.
‘‘Houve muito de conhecido e as propostas novas, referentes a cortes de impostos, foram vagas’’, disse Manning. Em seu discurso sobre a situação do país, Obuchi falou da diminuição de impostos por ‘‘muito mais’’ que 41 bilhões de dólares e do aumento do gasto público em 69 bilhões de dólares.

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