EUA bloqueiam pedido do Brasil sobre algodão
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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2003
Jamil Chade<br> Agência Estado 
Genebra Como previsto, os Estados Unidos bloquearam, ontem, um pedido do Brasil para a criação de um painel (comitê de arbitragem) na Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil havia pedido a intervenção da entidade para julgar os subsídios dados pelos norte-americanos aos seus produtores de algodão. Com a recusa da Casa Branca em aceitar uma arbitragem, o Itamaraty terá que reapresentar o caso em duas semanas, quando o pedido deverá ser atendido pela OMC.
Mas durante a reunião de ontem, o que chamou a atenção dos participantes foi os dados trazidos pelo Brasil sobre os efeitos dos subsídios norte-americanos. O embaixador do País na OMC, Luiz Felipe Seixas Correa, lembrou que a ajuda da Casa Branca aos produtores de algodão chega a US$ 4 bilhões, enquanto a produção do país gera uma renda de apenas US$ 3 bilhões.
O Brasil ainda apontou que o custo de produção do algodão nos Estados Unidos é o mais alto do mundo e, mesmo assim, os norte-americanos conseguiram aumentar sua participação no mercado internacional nos últimos anos. Em 1998, o algodão dos Estados Unidos representava 25% do mercado mundial. Hoje, representa 38%, o maior exportador do mundo.
Para o Itamaraty, esse aumento somente pode ser explicado pelos subsídios. O Brasil lembrou à OMC que a política norte-americana prejudica o País em vários aspectos, já que impossibilita a concorrência leal entre o algodão dos Estados Unidos e o brasileiro no mercado internacional.
''Desde 1999, o Brasil estima que os efeitos (da política norte-americana) custaram ao País e aos seus produtores milhões de dólares'', afirmou Seixas Correa, que lembrou à OMC que entre as consequências negativas dos subsídios estão a queda na renda dos agricultores brasileiros, a deterioração da balança comercial e a diminuição dos empregos na zona rural.


