Antonio Scorza/AFPEm negociaçãoO Secretário de Comércio dos EUA, William Daley, e o ministro de Relações Exteriores do Brasil, LampreiaO secretário de Comércio dos Estados Unidos, William Daley, admitiu ontem rever as barreiras impostas por seu país às importações de produtos siderúrgicos brasileiros. Durante conversa no final da tarde com o ministro da Indústria e do Comércio, Francisco Dornelles, ele prometeu enviar ao País um grupo de especialistas para discutir o tema com técnicos brasileiros. De acordo com Dornelles, as alegações das autoridades norte-americanas para manter as barreiras a produtos como aço e ferro-liga não se sustentam mais. Dornelles e Daley estiveram ontem em Belo Horizonte, no segundo dia do 3º Encontro das Américas, onde se discute a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
Ao privatizar as siderúrgicas, ponderou Dornelles, o governo brasileiro teria neutralizado as críticas de que essas empresas estariam recebendo subsídios. Ele rebateu ainda as acusações de dumping feitas por autoridades norte-americanas, recordando que os preços mais altos praticados no Brasil sobre produtos exportados aos Estados Unidos devem-se ao fato de que esses produtos são taxados no País com o Imposto sobre Produtos Industriais (IPI) e o Inposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). ‘‘A solução para este problema já está madura’’, afirmou Dornelles. Ele recebeu do setor siderúrgico a informação de que as exportações nacionais poderão crescer pelo menos US$ 1,5 bilhão por ano se as barreiras forem mesmo levantadas.
William Daley, adotou, no entanto, um tom cauteloso em relação ao Brasil, na véspera da abertura da reunião dos ministros que vão discutir os critérios de negociação para a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). O secretário de Comércio dos EUA disse estar ‘‘excitado’’ a respeito da perspectiva de se lançarem em Santiago do Chile, durante encontro de presidentes em março de 1998, as negociações para a criação da Alca. E assegurou ter se sentido ‘‘extremamente encorajado’’ depois de seus últimos encontros com os ministros da Indústria e do Comércio, Francisco Dornelles, e das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia.
O secretário procurou evitar comentários a respeito da divergência que tem com o governo brasileiro a respeito do início das negociações sobre a redução de tarifas a importações. ‘‘O processo não trata apenas de tarifas e vai bem além disso’’, afirmou Daley. Ele preferiu ressaltar a necessidade de aprofundar as discussões sobre a forma de negociação da Alca nos próximos meses, como forma de permitir a elaboração de um amplo entendimento entre os ministros até a próxima reunião entre eles, prevista para fevereiro, na Costa Rica. ‘‘Temos muito trabalho pela frente’’, disse.

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