EUA acionam Brasil na OMC
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quarta-feira, 10 de janeiro de 2001
Agência Estado De Genebra 
O governo dos Estados Unidos decidiu recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o Brasil. Em comunicado enviado ontem à organização, Washington alega que a lei nacional de patentes prevê o licenciamento compulsório de medicamentos e solicita, portanto, a abertura de um panel (mecanismo de solução de disputas).
De acordo com a norma brasileira, em caso de emergência nacional, as patentes de remédios que não são produzidos localmente devem ser estendidas a uma empresa que possa fabricá-los no próprio País.
Para os americanos, a lei de patentes existente no Brasil não está de acordo com as regras internacionais de proteção da propriedade intelectual. Segundo um diplomata americano, a possibilidade de licenciamento compulsório representa uma ameaça aos investimentos que as empresas fizeram para desenvolver o produto, e o Brasil precisa modificar sua lei.
Com o estabelecimento de um panel, a OMC irá julgar se as reclamações norte-americanas de fato exigem que a legislação brasileira seja corrigida. Durante a visita da secretária de Estado norte-americana, Madeleine Albright, ao Brasil, em agosto passado, o tema chegou a ser tratado. Na ocasião, o ministro das Relações Exteriores, Luís Felipe Lampreia, ressaltou que o caso envolvia o interesse público.
De acordo com um diplomata brasileiro em Genebra, o País não irá mudar a legislação nacional. Os EUA sabem que, embora a lei nacional inclua a possibilidade de licença compulsória, o Brasil nunca a colocou em prática, afirma o diplomata.
Na avaliação do diretor da Federação Internacional de Empresas Farmacêuticas, Eric Noehrenberg, mesmo o Brasil nunca tendo aplicado a lei, a falta de regras claras sobre patentes pode gerar uma diminuição nos investimentos do setor no desenvolvimento de medicamentos.


