EUA abrem processo contra Microsoft
France Presse
Dan Levine/France PresseDesabafoBill Gates: ‘‘O processo antitruste é um retrocesso para a América e acabará derrotado na corte. Isto é uma marcha à ré para os consu
midores, para a América e para a indústria micreira’’O Departamento de Justiça norte-americano iniciou ontem um processo contra a Microsoft, acusada de práticas anticompetitivas e de violar a lei antitruste, anunciou ontem a procuradora-geral Janet Reno. A Microsoft é acusada de ‘‘práticas anticompetitivas e de exclusão’’, a fim de manter e estender seu monopólio, disse ela. Vinte Estados americanos entraram no mesmo processo.
Esta batalha antitruste era esperada depois que as negociações de último minuto entre a ‘‘número 1’’ mundial da programação de computadores e o governo americano foram suspensas no final de semana. A Microsoft é ‘‘um êxito de inovações’’, prosseguiu Janet, mas ‘‘queremos nos assegurar de que o terreno esteja aberto para outros concorrentes inovadores, para a próxima Microsoft’’.
Tim Sloan/France PresseJanet Reno, procuradora de Justiça: ‘‘Prática anticompetitiva’’O procurador-adjunto dos serviços antitruste, Joe Klein, precisou que se pediu na ação à Microsoft que ofereça o programa de navegação de sua concorrente, Netscape, dentro da Windows. Caso contrário, não deve incluir seu próprio programa na Internet, o Explorer.
Agrescentou Klein que em certa época a Microsoft tentou concluir uma ‘‘conspiração ilegal’’ com a Netscape para compartilhar o mercado de ‘‘browsers’’. Frente à recusa, assinalou, a Microsoft decidiu utilizar ‘‘o efeito de seu monopólio sobre o Windows para introduzir obrigatoriamente seu programa de navegação sobre todo computador’’.
Com este sistema, a Microsoft impediu a Netscape de alcançar certos canais de distribuição. O grupo de programação é acusado de práticas ‘‘depredadoras’’.
‘‘O processo antitruste é um retrocesso para a América e acabará derrotado na corte’’. Essa foi a reação do presidente da Microsoft, Bill Gates, ao comentar a decisão do Departamento de Justiça dos EUA.
Gates falou com os jornalistas na sede da Microsoft em Redmont, Washington. Ele disse que está ‘‘desapontado’’ com o fracasso das negociações entre a empresa, o Departamento de Estado e a coalizão de 20 estados que tentavam um acordo extrajudicial. Gates disse que a batalha judicial será ‘‘contraproducente, cara e os reclamantes acabarão perdendo.’’ ‘‘Isto é uma marcha à ré para os consumidores, para a América e para a indústria micreira,’’ ressaltou Gates.
A lei antimonopólio nos Estados Unidos, o Sherman Act, sob a qual o governo americano apresentou ação legal contra a Microsoft ontem, data de 1890 e sua primeira aplicação, contra o império de John Rockefeller, remonta a 1911. Muito próximo do espírito da lei européia, o Sherman Act não condena o monopólio propriamente dito mas exclui as ações que tiram proveito deste domínio.

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