O lavrador Benedito de Camargo Barros, de 77 anos, só conseguiu a aposentadoria rural após trabalhar 59 anos e graças a uma úlcera no estômago. ''Quando a úlcera estourou, o médico atestou que eu não podia trabalhar mais'', conta. Tinha, na época, 66 anos. Ele, a mulher, Aparecida, de 72, e a filha, Ester, de 50, moram numa casa modesta, no bairro de Jundiaquara, em Araçoiaba da Serra, região de Sorocaba.
O salário mínimo da aposentadoria garante a comida. ''Fora isso, a gente cria umas galinhas'', diz a mulher. Dito Rosa, como é conhecido, não se considera um peso para a Previdência.
''Trabalhei duro desde os 7 anos e, se isso não é contribuir, o que é, então?'', pergunta. Ele ouviu no rádio que o presidente Lula planeja fazer mudanças na aposentadoria e se preocupa. ''Ele não sabe o que é passar a vida puxando enxada.'' Dito Rosa conta que começou a acompanhar o pai na roça aos 7 anos. ''Naquela época nem tinha carteira de trabalho'', lembra.
Com o tempo, arrendou umas terras para plantar e reuniu algumas economias. Quando casou, em 1955, comprou a pequena chácara que tem até hoje. ''Eu mesmo fiz a casa.'' A lavoura não ia bem e voltou a ser ''camarada''. E conta que era explorado pelos patrões. ''Trabalhava de sol a sol e, se chovia, não tinha pagamento. Hoje, por qualquer coisa, a pessoa fica encostada e recebe pensão.''

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