'Eu não economizei quase nada'
Paulo WolfgangPatrimônioJoão Nazima na casa que comprou com o que ganhou no Japão: Sem a crise, teria um capital maiorFormado em contabilidade, João Takahar Nazima, 53 anos, resolveu juntar capital no Japão há oito anos. De volta ao Brasil no mês passado, ele garantiu que a transferência para aquele país está compensando apenas para quem ganha menos do que R$ 1 mil no Brasil. Quem tem terceiro grau, deve ficar aqui e investir na carreira, aconselhou.
Com a crise asiática, o custo de vida aumentou muito e as horas extras foram cortadas. Nos últimos três anos, eu não economizei quase nada, reclamou Nazima. Em oito anos de trabalho, ele comprou dois imóveis em Londrina, além dos carros de propriedade da família. Se não houvesse a crise, teria conseguido um capital maior. Em Londrina, ele pretende reformar imóveis para depois revendê-los.
No seu primeiro emprego, na Honda, Nazima fazia três horas extras diárias, ganhando um salário de cerca de US$ 3,5 mil por mês. Há um ano e meio as horas extras acabaram na fábrica de componentes eletroeletrônicos onde eu trabalhava e o salário baixou para US$ 1,9 mil.
Nazima contou que em 1990 pagava um aluguel de 7,5 mil ienes (US$ 65) por um apartamento com dois quartos, sala, cozinha e banheiro no estado de Mie-Ken, no Japão. Nos últimos meses, estava pagando 40 mil ienes (US$ 347) por uma quitinete no estado de Toiamo-Ken.
Ele disse que a entrada de produtos brasileiros no Japão também dificultou as economias dos dekasseguis. Hoje há churrascarias, pastelarias e outros locais para gastar dinheiro. O trabalhador está lá sozinho e é duro conter a vontade de comer bem como no Brasil. C.L





