'Eu já estava sem saber o que fazer'
O funcionário público federal Ademir (nome fictício), 40 anos, é um comprador compulsivo em recuperação. Ele frequenta os Devedores Anônimos desde 2003. Ele já estava sem saber o que fazer quando descobriu o grupo através de um amigo. ''Minha família já estava se desestruturando e acabei me separando da mulher. Não foi só esse o motivo, mas as dívidas foram a gota d'água'', admite Ademir, que se enrolou em vários empréstimos bancários para tentar sair do fundo do poço.
''Recebia muitos cartões de crédito em minha casa e falava amém para todos eles. Teve época que tive uns 10 cartões. Quando ia comprar alguma coisa, jogava todos sobre o balcão para poder escolher um. Quando saia com amigos para jantares, quando todos pagavam a conta eu pegava o dinheiro e pagava com cartão. Sempre tive dó de gastar dinheiro, mas adorava consumir e, com o cartão, a gente não vê o dinheiro ir embora'', completa ele, que presentou a mulher com um cartão que possibilitava R$ 3 mil em compras. Esse foi um empurrão para a bancarrota de Ademir. ''Quebrei, foi um choque, passei por muitas crises. Hoje, me controlo e trabalho dobrado para pagar as dívidas''.
O empresário João frequenta o grupo desde novembro. Ele diz que sua empresa saiu do ''vermelho'', seguindo os 12 passos do DA. ''Não sou tão compulsivo para compras, mas não consigo empreender. Posso fechar um bom contrato, mas me desgasto tanto que quando o trabalho termina não consigo ter dinheiro'', diz ele que tem uma empresa prestadora de serviços.(V.B.)





