Competitividade e credibilidade são alguns dos benefícios obtidos pelas empresas que praticam a ética empresarial, a qual exige, entre outras posturas, a transparência das atitudes. Contudo, segundo o sociólogo e diretor da RHS Serviços Científicos, Robert Henry Srour, ainda são poucos os empresários brasileiros que aplicam a filosofia. ''Podemos perceber mais esta atitude nas grandes empresas. E apesar de serem poucas, são uma parcela significativa que serve de exemplo'', constatou o sociólogo.
De acordo com Srour, com o início da abertura comercial do Brasil, na década de 90, e as mudanças no cenário político, com a consolidação da democracia representativa, os consumidores passaram a exercer maior pressão sobre as empresas exigindo uma conduta de responsabilidade social. ''Até a década de 80 as empresas automobilísticas nacionais eram protegidas, mesmo sem oferecer bons produtos. Após esta abertura, o país se modernizou para poder competir e hoje exporta muitos carros populares com boa tecnologia'', exemplificou.
A ética empresarial consiste ainda em uma análise de riscos, de custos e benefícios e visa chegar a soluções e produtos que sejam coletivamete benéficos. ''O resultado disto são produtos mais confiáveis, duráveis, inovadores e com preços competitivos'', relatou Srour. Ele lembra que hoje o descrédito praticamente inviabiliza uma empresa pela falta de aceitação do cliente.
Porém, apesar dos benefícios desta prática, o sociólogo admite que, às vezes, é difícil colocar em prática a teoria. ''Tenho experiência própria, já administrei algumas empresas públicas. E são muitos os interesses feridos quando se adota esta postura. Não basta ser honesto, você também tem que impedir que os outros roubem'', contou. Acabar com a corrupção e o desperdício são as grandes dificuldades das empresas, mas Srour acredita que em poucos anos os empresários tenham consciência da importância desta atitude.
Srour esteve em Londrina na manhã de ontem para proferir uma palestra para os funcionários da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), pois a direção pretende montar seu código de ética com a ajuda de todos os empregados.

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