Nem a safra de etanol em plena atividade consegue fazer com que os preços do combustível se mantenham estáveis no Paraná. Pesquisa realizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) entre os dias 13 e 17 de junho aponta que o litro do produto atingiu R$ 1,79 em Londrina. Entretanto, rápida pesquisa feita ontem pela FOLHA mostrou que já há postos anunciando R$ 1,88. Em Maringá, alguns estabelecimentos vendem o produto a R$ 1,99.
Adriano da Silva Dias, superintendente da Alcopar, ressaltou que o salto nos preços ''não tem explicação''. Ele lembrou que o indicador semanal do etanol hidratado da Cepea/Esalq mostra que o custo de produção teve aumento de seis centavos nas últimas duas semanas - de R$ 1,08 para R$ 1,14. ''Não tem justificativa. Não houve aumento tão grande na usina para tal reajuste (até R$ 0,20). Em alguns locais, não compensa abastecer com etanol''.
O superintendente da entidade disse que até o dia 15 de junho o Estado havia produzido 500 milhões de litros de álcool anidro e hidratado, ou 26% da safra de 1,7 bilhão de litros. A cana de açúcar segue essa mesma percentagem, com produção de 47 milhões de toneladas até agora. ''São números razoáveis, mas o que acontece é que estamos na plena safra, com um montante de produção significativo pela frente'', avaliou Dias.
Roberto Fregonense, presidente do Sindicombustíveis-PR, comentou que o aumento de 15 centavos na usina nas últimas três semanas está sim fazendo diferença. Além disso, haveria pouca oferta de etanol no mercado. ''Já há distribuidoras repassando para postos a R$ 1,74 o litro, e dizendo que amanhã (hoje) vão aumentar mais dez centavos. Não há mais parâmetros neste mercado, os preços podem voltar para a extratosfera novamente. O consumidor vai ter que voltar a fazer a conta para avaliar qual combustível vale a pena'', explicou.
Fregonese salienta que o governo deve tomar medidas urgentes, com um estoque regulador e também diminuir a percentagem do etanol anidro na gasolina. Ele relembra do mesmo período do ano passado, quando a usina estava comercializando o produto a R$ 0,70. ''Estamos numa barreira extremamente perigosa. Se continuar desta forma não teremos etanol na entressafra novamente.''

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