Abastecer com etanol no Paraná voltou a ser mais vantajoso do que com gasolina, segundo o último Sistema de Levantamento de Preços (SLP) da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Relativo aos preços da semana entre 3 e 9 de fevereiro, o valor médio do biocombustível ficou em R$ 1,88 no Estado, o que representa 68% dos R$ 2,83 de custo da gasolina. É considerado que o etanol vale mais a pena quando a diferença fica abaixo de 70%, o que voltou a ocorrer na primeira semana depois do reajuste de 6,6% para o combustível fóssil, anunciado no último dia 29 pela Petrobras.
O motivo é que o rendimento do veículo com álcool hidratado é próximo a 70% do que ocorre quando o abastecimento é com gasolina. Por isso, especialistas recomendam que os donos de carros flex dividam o preço do etanol pelo do combustível fóssil, para descobrir qual é a melhor compra. Segundo relatório da ANP divulgado anteontem, apenas São Paulo, Mato Grosso, Goiás e Paraná mantêm preços mais vantajosos para o etanol.
Em Londrina, a vantagem é ainda maior. A média de valor do biocombustível é R$ 1,93 e a da gasolina, de R$ 2,90, o que dá uma diferença de 66%, segundo a pesquisa em 42 postos feita pela ANP. Mesmo assim, o vice-presidente da regional londrinense do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis (Sindicombustíveis) do Paraná, Durval Garcia Júnior, afirma que ainda não percebeu uma migração grande de consumo. ''O etanol tem aumentos quase que diários por causa da entressafra e não sei até quando vai continuar a ser competitivo.''
Garcia Júnior conta que, no posto dele, o etanol ainda representa de 25% a 30% das vendas de gasolina, o que ainda pode mudar. Ele afirma que o governo federal acena com um novo reajuste da gasolina para atender às necessidades da Petrobras, que sofre com prejuízos por pagar mais caro pelo combustível importado do que pelo preço de revenda interna. Diz, no entanto, que os usineiros de cana-de-açúcar também devem aumentar o preço do etanol. ''Eles sempre reclamaram que a margem de lucro deles estava baixa.''
Superintendente da Associação dos Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar), José Adriano da Silva Dias diz que a tendência é que a diferença de preços aumente com o início da safra de cana. ''Se na entressafra está competitivo, ainda pode melhorar'', prevê. Ele acredita que a ampliação do percentual de álcool anidro na gasolina de 20% para 25%, como previsto pela ANP para começar em 1º de maio, não deve reduzir a oferta de etanol hidratado, que é vendido na bomba.
Para o vice-presidente do Sindicombustíveis, essa matemática não é tão simples. ''Não gostaria de arriscar palpites, porque há dois anos eu disse que os preços cairiam 18% com a safra de cana, mas subiram 10%.''
Como base para a projeção de que o etanol ainda se tornará mais vantajoso, Dias lembra que a safra de cana será maior neste ano do que em 2012 e que deve ocorrer maior oferta de álcool. Ele conta que a previsão é de que o 2013 termine com produção excedente de 7 milhões de toneladas de açúcar, o que derruba o preço da mercadoria. ''Isso tira a atratividade do açúcar e deveremos ter um deslocamento na produção para o etanol.''
O superintendente da Alcopar diz que a divisão da produção no Centro-Sul em 2012 foi de 52% para a commodity e de 48% para o álcool. Segundo Dias, há uma margem de segurança nos equipamentos das usinas que permite variar de 2% a 3% o resultado do processamento.
Variação
A pesquisa de preços ainda é uma saída para o motorista que busca economia. Conforme o levantamento da ANP em 42 postos de Londrina, o preço mínimo da gasolina foi de R$ 2,71 e o máximo chegou a R$ 2,99. No caso do etanol, a variação foi de R$ 1,79 a R$ 1,99.
O promotor de Justiça Miguel Sogaiar, da Promotoria de Defesa do Consumidor de Londrina, apura se os reajustes da gasolina nos postos foram exagerados na cidade. Segundo pesquisa feita pela FOLHA no dia seguinte ao anúncio de aumento de 6,6% pela Petrobras, houve casos em que que a alta bateu em 7% nas bombas.

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