Etanol será negociado com contratos futuros
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domingo, 16 de maio de 2010
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
A partir de hoje a Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&FBovespa) passará a negociar contratos futuros do etanol hidratado - aquele que vai direto para o tanque de combustível sem ser misturado à gasolina - com liquidação financeira. A iniciativa pretende reduzir os riscos a que estão sujeitos os participantes do mercado do etanol no País. Para o setor produtivo é a possibilidade de negociar com preços mais estáveis. O consumidor, que está na outra ponta, também poderá ganhar com a estabilidade do mercado.
''A gente está trazendo planejamento para a empresa. As negociações na Bolsa tentam garantir preços para o futuro'', ressalta Fabiana Perobelli, gerente de produto do agronegócio da BM&FBovespa, destacando que o mercado de etanol oscila muito e traz muitos riscos para os agentes. Segundo ela, a medida pretende ainda dar transparência para o que acontece no mercado físico do etanol.
O contrato de etanol hidratado será cotado em reais e terá formação de preço na região de Paulínia (SP), um dos principais centros de distribuição de combustível do País. O indicador passou a ser divulgado desde 31 de março e é coletado pelo Centro de Pesquisas em Economia Aplicada (Cepea), órgão da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP).
Conforme Fabiana, essa negociação futura terá duas modalidades de investimento: contrato de opção de compra e de venda futura. O formato segue os moldes de contratos como o do boi gordo, um dos mais negociados pela Bovespa, por ser de liquidação financeira e não de entrega física - que pode ser mais fácil de ser executado. Qualquer pessoa poderá participar das negociações, desde produtores, distribuidoras de petróleo e usineiros até pessoas físicas. Tudo por meio de corretoras cadastradas.
Aliás, com essa nova modalidade de contrato para o etanol, a BM&FBovespa pretende trazer mais participantes para o mercado desse produto e promover a eficiência de comercialização do produto. ''É mais uma opção para o investidor ampliar sua carteria de aplicações'', acrescenta a gerente da BM&FBovespa. Ela frisa que os contratos de etanol anidro, aquele misturado à gasolina, cotado em dólar e com formação de preço no Porto de Santos, continuará sendo negociado na Bolsa.
Sem falar de expectativas de negociações, Fabiana ressalta que a previsão é positiva visto que se trata de um produto de difícil comercialização, que não encontra mercado aberto, de alta volatilidade e negociado em grande volume. O reflexo da medida no mercado interno será principalmente quanto à transparência da formação de preço do etanol brasileiro. E caso a implantação desse contrato pela BM&FBovespa seja bem sucedido, o preço formado aqui no País poderá balizar as negociações internacionais, como acontece com o preço da soja fechado nos Estados Unidos. Esse novo formato de negociação, conforme Fabiana, se fez necessário por conta do alto volume de etanol hidratado produzido e comercializado, principalmente depois da chegada dos carros flex. Em 2005, informa, o Brasil passou a produzir mais hidratado do anidro.


